terça-feira, 30 de junho de 2009

Recuperação


Foto: Diógenis Santos

Uma vez que o Senhor removera a barreira da falta de perdão e da raiz de amargura de meu coração, comecei a orar por Neil e pela outra mulher, sem o sentimento de raiva ou ressentimento. Continuei a ler livros sobre o assunto de falta de perdão e a encher minha mente e coração com a Palavra. Logo pude reconhecer que Deus amava Neil e a outra mulher do mesmo jeito que Ele me amava. Reconheci também que o meu pecado de falta de perdão tinha sido tão errado quanto o pecado deles de adultério. Agora que eu havia colocado isso em meu coração, sabia que estava livre para receber um milagre do Senhor para Neil e para mim mesma – e para nossas crianças e nosso casamento. Nós tínhamos obedecido ao Senhor, Neil confessando seu pecado e eu perdoando.

Capítulo 7 – O segundo gole fatal

domingo, 28 de junho de 2009

A jornada mais longa

Foto: Diógenis Santos

Então o Espírito Santo falou novamente ao meu coração:
- Quero que você faça mais uma coisa: tome seu marido em seus braços e abrace-o. Bom, uma coisa era liberar a amargura, mas agora Ele estava indo longe demais. É claro que eu não tinha que fazer isso! Não era o suficiente eu ter sido obediente em oração ao Senhor? O que o Senhor estava me pedindo para fazer anularia todo o meu poder sobre meu marido. Pior ainda, eu sabia que ele iria querer ter relações sexuais comigo e eu não sabia se estava pronta para aquilo ainda. Não sei quanto tempo fiquei lutando com o Senhor, mas finalmente me dispus a fazer o que ele desejava que eu fizesse.
Neil estava de costas para mim. Centímetro por centímetro fui movendo-me naquele espaço que nos separava, achegando-me para mais perto dele. Aquela jornada do meu lado da cama para o dele foi a mais longa que fiz em toda a minha vida. Sentia-me como se estivesse morrendo para o orgulho a cada centímetro que me movia para perto dele.
Após um tempo que parecia uma eternidade de travessia para o lado da cama de Neil, coloquei meus braços ao redor dele, simplesmente, abracei-o forte. Ele acordou, mas sem a mínima idéia do que estava acontecendo. Ele não sabia o que o Senhor estivera fazendo em meu coração porque eu não havia compartilhado nada com ele sobre aquilo. Ele estava assustado demais para se mover e ficou parado, naquela posição a noite toda enquanto eu o abraçava.
Tenho que admitir que gostei daquilo!
A seguir:
Recuperação

sábado, 27 de junho de 2009

Uma raiz de amargura

Foto: Diógenis Santos

O tempo que eu gastei com a falta de perdão e com o ressentimento abriu a porta para outro problema. Eu tinha permitido que a semente de amargura caísse no solo e germinasse. Eu não tinha consciência desse fato até uma noite em que eu estava na cama de costas para Neil e o Espírito falou a mim:
- A salvação para o seu casamento está em suas mãos, depende do seu desejo em arrancar essa raiz de amargura.
Pensei, então, no ensinamento de Hebreus:
"Segui a paz com todos, e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor, atentando diligentemente por que ninguém seja faltoso, separando-se da graça de Deus; nem haja alguma raiz de amargura que, brotando, vos perturbe e, por meio dela, muitos sejam contaminados". Heb. 12:14-15
Quando uma raiz é pequena, é fácil arrancá-la. Porém, quanto mais comprida ela fica, mais difícil é arrancá-la. Eu sabia que se recusasse lidar com a amargura em meu coração, ela cresceria e invadiria cada área de minha vida, afetando a mim, as crianças e a todos com quem eu mantivesse contato. A amargura esmagaria qualquer sentimento que tivesse restado entre mim e Neil tornaria a reconciliação algo impossível.
Eu estivera junto de pessoas amarguradas antes e sabia que não era uma experiência agradável. Após ficar na presença delas por alguns minutos, eu sempre sentia-me suja e contaminada. Parecia que aquelas pessoas tinham uma forma de espalhar o seu ressentimento em cada conversa. Eu sabia em meu coração que possuía todo o potencial para tornar-me igual àquelas pessoas e aquele pensamento me assustava.
Eu desejava realmente lidar com aquele sentimento no momento? Sabia que não queria a amargura, mas não tinha a certeza de estar pronta para desistir do meu poder sobre Neil. Poderia ignorar a ofensa cometida contra mim? Nos últimos tempos, eu percebera que a amargura iria manter-me aprisionada, sem alívio, marcada para sempre por algo que havia acontecido no passado. Finalmente, sabendo que qualquer outra atitude apenas traria mais dor, abri o meu coração para o Senhor e derramei toda a minha dor e amargura aos pés da cruz. Completamente mergulhada em uma maravilhosa paz que veio sobre mim, pensei, Bom isso é o final de tudo. Agora, talvez eu possa dormir um pouco.
A seguir:
A jornada mais longa

sexta-feira, 26 de junho de 2009

O divórcio é recomendado

/>
Foto: Diógenis Santos

Vídeo: Situações: Grupo Logos (http://www.youtube.com/watch?v=p76F1JRtslE)

Naquelas alturas, eu finalmente compartilhei o problema com alguém que eu sentia que podia confiar, alguém que eu pensava que pudesse me dar algum conselho confiável. Eu estava tão machucada que, quando esta pessoa mencionou a opção do divórcio, isto soou-me como uma alternativa viável. Meu orgulho apareceu, desejando poupar-me da humilhação proveniente dos erros de meu marido. Sim, pensei, este seria um caminho fácil para o meu problema. Imediatamente, pensei em pegar as crianças e alugar um apartamento na vizinhança.
Por mais tentador que aquilo parecesse, no entanto, eu ainda hesitava. O divórcio soava algo tão radical e teria que ser uma escolha minha já que Neil não o deseja. Decidi esperar e ver o que o superintendente iria dizer, já que eu insistia que Neil telefonasse para ele. Enquanto isso, comprei vários livros que pudessem me ajudar a entender o que estava acontecendo comigo e comecei a ler assuntos sobre o perdão e o encher da mente com a Palavra.
A Bíblia falou ao meu coração, em uma manhã em particular, durante o meu momento de devocional.
Porque se (Noline) perdoardes aos homens (Neil e a outra mulher) as suas ofensas (seus pecados inconseqüentes e premeditados, liberando-os e deixando o ressentimento), também vosso (Noline) Pai celeste vos perdoará (Noline); se, porém, (Noline) não perdoardes aos homens (Neil e a outra mulher) (as suas ofensas) (seus pecados de inconseqüente e premeditados, liberando-os e deixando o ressentimento), tão pouco vosso (Noline) Pai vos (Noline) perdoará as vossas ofensas (da Noline).
Mateus 6:14-15
Até aquele momento, eu pensava que o perdão era um sentimento. Se eu ainda sentia que odiava ambos após ter orado por eles (e eu orei), então sentia que não lhes havia perdoado. Aprendi naquele dia, no entanto, que o perdão é um ato do meu desejo e não um sentimento. No primeiro momento em que orei e lhes perdoei, a transação havia sido completa – da parte de Deus. Era o meu próprio coração que me condenava através dos meus sentimentos e pensamentos. Na manhã em que esta verdade tornou-se uma realidade para mim, fiquei ciente de que havia perdoado Neil e a outra mulher-indiferente de meus sentimentos naquele instante.
A seguir:
Uma raiz de amargura

quinta-feira, 25 de junho de 2009

A chance de perdoar

Camocim-CE
Foto: Diógenis Santos

Enquanto leia ouça o vídeo:

Deixa meu rio - (Koinonia) http://www.youtube.com/watch?v=ecvM_op8f20


Fielmente, o Espírito Santo começou a ministrar em meu espírito. Começou com a pergunta:
- Você deseja que esse casamento continue? Como sempre. Ele tinha ido ao ponto principal da questão.
Bom, eu sabia que realmente amava Neil e eu queria que toda essa bagunça acabasse, mas como perdoá-lo por tudo o que tinha feito a mim? Havia dias em que eu o odiava pelo que ele havia feito comigo. Eu queria que ele nunca mais me tocasse ou me visse nua. Eu evitava todo o tipo de contato físico direto com ele e a nossa limitada comunicação verbal era carregada de um tom inflamado.
Com a confissão de seu adultério, eu tinha em minhas mãos um poder sobre ele; e sentia que se o perdoasse imediatamente, perderia esse poder e ele novamente voltaria a dominar-me. Foi uma verdadeira luta para eu me desvencilhar desse pensamente e perdoar.
Mas o Espírito Santo conhecia o meu coração e continuou a falar comigo. Ele não estava interessado em fazer-me feliz. Mais importante do que isso, Ele queria que eu fosse curada.
- Perdoe seu marido, dizia o Espírito Santo de forma doce, porém persistente.
Todos os versículos sobre perdão que eu tinha decorado quando criança, na Escola Dominical voltavam a minha mente. Esses princípios haviam sido reforçados durante os anos de Escola Dominical. Eu cria neles e sabia em meu coração que, no final, eu teria que tomar uma decisão. Naquele momento, entretanto, minhas emoções estavam descontroladas.
Neil tinha agido corretamente confessando o seu erro. Esse é o primeiro passo em direção à cura. Através daquela atitude, ele estava pedindo ajuda, desejando livrar-se de sua armadilha. Então, eu tinha que fazer a coisa certa e perdoá-lo.
Talvez, Neil não tenha feito da melhor maneira. Ele havia soltado a sua confissão sem um preparo de oração e sem esperar o tempo do Espírito Santo. Ele não aproveitou a oportunidade para orarmos juntos, ou para buscarmos a face do Senhor juntos antes de começar a confissão. Ele simplesmente abriu as comportas e eu fui pega pela correnteza. Mesmo tendo sobrevivido ao choque inicial, eu ainda sentia-me despedaçada com o bombardeio.
No momento, porém, a responsabilidade estava em minhas mãos, e cabia a mim decidir o que fazer. Eu tinha ouvido alguém dizer que a falta de perdão era como pegar uma brasa de uma fogueira e atirar naquele que nos feriu. O único que se queima é você! A chama de raiva dentro de mim parecia ser a única arma que eu tinha no momento. Neil não sabia como reagir a ela; assim eu mantinha distância. Pouco a pouco, comecei a perceber que minha raiva também me isolava do Senhor. Lá no fundo do meu coração eu sabia que o Espírito Santo estava certo. Eu tinha que perdoar meu marido ou aquela raiva e ressentimento acabariam com a minha existência espiritual.
Ajoelhei-me e, da melhor forma que pude, fiz uma oração perdoando tanto Neil como a outra mulher. Ao levantar-me, ao invés de sentir-me aliviada como esperava, eu ainda estava cheia de pensamentos de ira. Sentia ódio deles e desejava que algo ruim lhes acontecesse. Creio que tentei perdoar-lhes muitas vezes nas semanas seguintes, mas o resultado era sempre o mesmo. A raiva e o ressentimento ainda envenenavam o meu coração.

A seguir:
O divórcio é recomendado

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Pensamentos contraditórios


Profissão: Do Lar
Foto: Diógenis Santos

Meus pensamentos estavam terrivelmente contraditórios nos dias e semanas após a confissão desajeitada de Neil. Eu tentava ordená-los, mas o processo parecia impossível. Ao mesmo tempo em que eu o odiava por ter me machucado, eu queria desesperadamente voltar para ele de alguma forma e também culpava-me por tudo o que havia acontecido. Cada uma de minhas falhas as quais eu sabia que poderia ter corrigido há muito tempo, vinham então vividamente à minha mente. Como esposa, dona de casa e mãe de tempo integral, eu havia escolhido construir a minha vida ao redor de minha família e do meu lar ao invés de ajudar Neil em seu ministério, como ele desejara. Tive então a certeza de que aquilo fora errado e me repreendia continuamente.
Ainda assim, por mais que eu tivesse resistido a ser moldada como ele queria que eu fosse, sentia, às vezes, que eu havia permitido que ele fosse longe demais nesse aspecto. Havia confiado e dependido demais dele. De fato, eu havia permitido que ele me forçasse a assumir a identidade que ele projetara para que eu impressionasse muito bem a igreja. Isso tinha que acabar. Eu precisava tornar-me uma mulher independente. Eu já não podia confiar nele e tinha sido tola por ter confiado no passado.
Eu havia considerado Neil, não apenas como meu marido e amigo, mas também como meu pastor. Havia confiado a ele o manejo correto da Palavra de Deus, o que ele parecia conhecer tão bem. Agora eu tinha a certeza de que ele havia usado a Palavra de forma traiçoeira, para seus próprios propósitos, para descartar qualquer advertência ou sentimento intuitivo que eu pudesse ter sobre sua conduta durante o período de seu caso ilícito.
Sentia-me totalmente desprovida da auto-confiança e tão tola que não conseguia fazer mais nada direito. Pelo menos, disse para mim mesma, é isso que Neil pensa de mim. Mas eu não iria fazer mais o papel de tola. Eu tinha sido a perfeita mulher submissa, totalmente dependente de meu marido, mas isso não aconteceria mais. Eu estava envergonhada, humilhada e determinada a fazê-lo pagar por toda a minha dor.
a seguir:
A chance de perdoar

terça-feira, 23 de junho de 2009

Capítulo 6 – A confissão e o perdão


Brejo Santo-CE
Foto: Diógenis Santos

Confessai, pois, os vossos pecados uns aos outros e orai uns pelos outros, para serdes curados. Tiago 5:16

NOLINE:

O dia começou como qualquer outro dia, com minhas rotinas diárias em cuidar das crianças, limpar a casa, cozinhar e atender ao telefone. Por volta das quatro da tarde, eu estava ocupada, trabalhando na cozinha, quando Neil chegou e começou a falar. Eu ouvia friamente enquanto continuava a preparar o jantar. Ele parecia preocupado, parado lá, o que não era de seu feitio. Percebi mais tarde, que eu poderia ter pressentido o que estava para acontecer. Ele, de repente, tornou-se muito sério e disse:
- Noline, precisamos conversar.
Olhei para cima, desviando meu olhar dos preparativos e focalizei-o na face de Neil. Quando o homem com quem eu estava casada há quatro anos e meio começou a gaguejar sua confissão, senti meu mundo inteiro desmoronar em milhões de pedaços. Ouvia chocada e horrorizada enquanto ele me confessava que havia se “envolvido” com uma mulher de nossa igreja. Não demorou muito para eu perceber o que Neil queria dizer com “envolvido” – que ele tivera um caso de adultério com ela.
Eu nunca imaginei que uma pessoa pudesse ter tantos pensamentos de uma só vez na cabeça. A minha estava num redemoinho. Senti-me muito doente e meu consolo era que, finalmente, eu sabia por que o último ano havia sido tão difícil para nós. Somente muito mais tarde, percebi que aquela terrível situação havia acontecido pelo fato das coisas estarem correndo tão mal entre nós. Mas eu não conseguia pensar claramente naquele momento. Os pensamentos vinham em turbilhões, misturando-se enquanto passavam.
Como eu poderia agüentar isso? Essas coisas não poderiam acontecer com pessoas que amavam ao Senhor. Porque conosco? Neil e eu éramos apaixonados desde a nossa infância. Éramos perfeitos um para o outro. Tínhamos praticamente crescido juntos, dividido a nossa cama e nossas vidas, tínhamos tido um ministério juntos e tínhamos colocado lindas crianças no mundo. Agora isso! Eu continuava pensando Essas coisas só acontecem com outras pessoas – não conosco!
Nenhuma palavra poderia expressar quão irada e machucada eu estava: ao mesmo tempo, sentia-me estranhamente desligada de tudo aquilo. Rudemente perguntei ao Neil o que ele queria fazer.
- Você quer continuar o seu relacionamento com a outra mulher? Você quer o divórcio?
Havia tantas outras perguntas em minha mente que eu simplesmente não podia verbalizá-las no momento:
- Por quê? O que o fez fazer isso? Como você pode fazer isso comigo?
Estaria ele tão infeliz com nosso relacionamento? Eu não preenchia suas necessidades? Havia alguma coisa errada em mim como mulher? Eu estava furiosa!
Como pude ser tão cega? Acho que eu sentia que sempre poderia confiar em Neil, mas naquele dia sentia-me como se tivesse mantido a cabeça enterrada, como uma avestruz enquanto tudo acontecia. Subitamente, senti-me presa e claustrofóbica naquela pequena cozinha com Neil. Eu não o queria perto de mim, não queria que ele me tocasse ou me visse chorando. Precisando desesperadamente de um espaço para concatenar meus pensamentos, pedi para Neil tomar conta das crianças e deixar-me sozinha por um tempo. Fo só ele sair de vista, saí correndo da cozinha para fora e chequei à rua. Andei, andei tomada pelas minhas emoções. Buscava em meu coração devastado: Onde viro? O que eu quero? Com quem posso conversar? Andei sem parar até chegar à igreja. Lá senti que poderia encontrar o consolo e o conforto de que eu tanto precisava do meu Pai celestial. Ao contrário de meu marido, Ele não me deixaria.

Pensamentos contraditórios