sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Restauração do Ministério

Foto: Diógenis Santos

Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus e não de nós. 2 Cor. 4:7
NEIL:
O amor é restaurado
Noline e eu ainda não sabemos exatamente o dia ou a hora em que o milagre pelo qual ansiávamos aconteceu, nem podemos exatamente explicar como Deus fez. Tudo o que sabemos é que aconteceu. Estávamos ainda em Denver com os Phillipps. Tínhamos obedecido a direção de Deus e permitido que Ele enchesse a nossa vida com a Sua Palavra. Ambos nos sentíamos como talhas de pedra cheias de água ao invés de vinho, mas dessa vez sabíamos que a nossa cura tinha de vir de Deus e não de nossos próprios esforços.
Tínhamos feito tudo o que era humanamente possível em obediência ao Senhor e estávamos na expectativa de um milagre. Então, uma manhã acordamos com uma profunda certeza interior de que amávamos desesperadamente um ao outro! Era misterioso. Este novo amor não era baseado no desempenho (o que podemos ganhar ou perder), ou na explícita confiança de um pelo outro (sabíamos de um modo pessoal que a confiança pode ser traída). Não havia fonte tangível para esse amor. Noline e eu simplesmente “sabíamos que nós sabíamos” que amávamos um ao outro mais do que as palavras podiam descrever! Era uma experiência que todo casal sonha e sabíamos que era um presente de Deus.
O Milagroso Homem da Galiléia tinha novamente transformado água em vinho, e Noline e eu estávamos totalmente embriagados com ele. Diferente de nossas experiências anteriores quando jovens, dessa vez estávamos “bêbados pelo Seu amor” e não através de meros efeitos de hormônios humanos e da paixão emocional. Você pode imaginar como o nosso novo caso de amor, com a sua vivacidade e alegria, afetou diretamente nosso relacionamento de casamento! Mike e Marilyn achavam que tinham um novo casal de pombinhos cegos de paixão um pelo outro trabalhando no escritório. Nós não podíamos parar de sorrir! Estávamos nos amando novamente, após um desesperado resgate beirando a morte, e o nosso mergulho no vinho de Deus era maravilhoso! Assim, como dois viajantes sedentos pelo deserto, que encontram um oásis escondido, sorvíamos continuamente a bebida do Senhor que dá vida.
Não queremos dar a impressão de que todas as nossas lutas ou testes acabaram naquele dia. O oposto é bem verdade.

domingo, 20 de setembro de 2009

A talha de água da libertação

Quando iniciei o processo de libertação, ela não veio das mãos de algum evangelista cheio de poder ou em um culto, durante o mover do louvor e da adoração. Veio no chão de nosso quarto quando confessei meu segundo caso de adultério para Noline. Lágrimas rolavam de nossas faces enquanto estávamos ajoelhados e quando pedi para Noline impor suas mãos em mim e expulsar o espírito da luxúria que eu sentia que me perseguia. Ela pôs suas mãos em minha cabeça e disse:
- Demônio, em Nome de Jesus Cristo, que morreu na cruz e se levantou novamente, eu o amarro. Ordeno que você saia da vida de meu marido imediatamente e vá! Oro no Nome de Jesus. Amém.
Essa fora a primeira vez que eu havia permitido que se fizesse esse tipo de oração por mim. Não senti nenhum resultado imediato e não houve nenhuma manifestação em particular.
Depois, quando o meu pecado de adultério havia sido exposto na igreja e de termos passado pelo período de disciplina, o pastor principal e sua esposa visitaram-me em casa. Sugeriram que amarrássemos qualquer atividade demoníaca em nossas vidas; assim começamos a orar e a interceder juntos. Eles se juntaram ao redor da cadeira onde eu estava ajoelhado, orando. Deus revelou-lhes que os espíritos da luxúria, fornicação e adultério tinham estado me atormentando. Eles amarraram aqueles demônios e ordenaram que saíssem de minha vida. Pedi, então, ao Espírito Santo para encher, com o Seu amor e a sua presença aquelas áreas de minha mente e coração que tinham estado suscetíveis à influência demoníaca. Daquele dia em diante fiquei livre daquele tormento em particular.
Logo quando eu fora salvo, eu pensava que a “vida vitoriosa” referia-se à minha habilidade de superar qualquer tendência da carne, mas aprendera, algumas vezes da forma mais difícil, que não tenho poder sem o Senhor e que é apenas a Sua força operando em mim que me mantém afastado do pecado. Nós não temos nada em nós mesmos para nos orgulhar. No entanto, quando tomei autoridade sobre todos os demônios da luxúria e neguei a eles o direito legal de ditarem as regras em minha vida, experimentei uma liberdade nunca conhecida antes.
Tenho certeza de que Satanás não desistiu de investir contra mim. Mas agora, seus “capangas” não são nada além de uma força externa, fácil de se reconhecer e de se lidar. Tudo o que preciso fazer agora é levantar o meu escudo da fé para “conter os dardos inflamados” que ele envia contra mim.
Um teste para minha nova liberdade veio quando estávamos trabalhando no escritório em Denver. Embora eu estivesse liberto, a minha carne ainda estava em reaprendizagem e eu ainda tinha um longo caminho para aprender a lidar com os meus problemas de hábitos e comportamento. Um dia, uma moça estava visitando o escritório e ela iniciou uma conversa. Tudo parecia totalmente inocente para mim, mas duas pessoas, incluindo um irmão com o dom de discernimento, sentiu que isso poderia ser um problema e contaram ao Mike. Ele me chamou no escritório e confrontou-me.
Primeiro fiquei chocado, mas então fiquei ainda mais aturdido por entender que ele não queria uma resposta ou desculpa. Ele só estava procurando uma oportunidade para avisar-me de um possível ataque do inimigo em minha alma. Se o diabo tinha enviado um espírito de luxúria contra mim numa tentativa de reaver o território perdido no ano anterior, suas tentativas foram frustradas. Os dois homens oraram comigo e juntos resistimos ao ataque do inimigo em nome de Jesus. Todos os presentes sentiram a presença do emissário do diabo sair.
Deus usou o incidente para treinar-me a reconhecer os ataques antes de reagir de maneira imprópria. Tenho me tornado muito ativo em relação a esses esquemas sutis do inimigo e Noline e eu nos guardamos e protegemos um ao outro consistentemente.
Estamos comprometidos, de muitas outras formas, a desenvolver o nosso relacionamento a cada dia, convencidos do fato de que se for para termos algum ministério em nossas vidas, ele deve começar com um exemplo cristão em nosso próprio lar. Há uma importante promessa no livro de Malaquias onde Deus revela porque Ele quer que sejamos um:
E não fez ele somente um, sobejando-lhe o espírito? E por que somente um? Ele buscava uma semente de piedosos; portanto guardai-vos em vosso espírito, e ninguém seja desleal para com a mulher da sua mocidade. Mal. 2:15 (Ed Revista e corrigida)
O Senhor quer que nós trabalhemos no desenvolvimento e na manutenção da unidade entre nós porque Ele quer semear uma semente divina na terra. Embora desenvolver e manter a unidade não seja algo fácil, o resultado final supera todo o esforço exigido. A unidade permite-nos experimentar um sinergismo poderoso entre os dois e Deus põe uma semente divina em nossos filhos. Portanto, a unidade é o desejo de Deus para todo casamento.
Obediência, Palavra, visão de fé, restauração, transparência e libertação – deixe Deus começar a encher suas talhas hoje.
Capítulo 12 – Restauração do ministério

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

A talha de água da transparência


Lagoa Canabrava-GO
Foto: Diógenis Santos

Há apenas uma cura para a vida escondida atrás da máscara da auto decepção: a transparência. É o “bálsamo da cura” de Deus, mas ele não vem facilmente. Tenho uma palavra profunda a qual compartilho sempre que treino líderes pelo país: “Quanto mais você dá alguma coisa, mas você recebe”. Na área das feridas e mágoas, quanto mais demos o nosso testemunho da vitória de Jesus, mais vitória tivemos.
Conhecemos pessoas que tiveram incidentes semelhantes em seus casamentos que, devido a sua incapacidade para compartilhar abertamente, suportaram tenazmente suas dores. Após trinta anos, seus relacionamentos de “uma só carne” e com outras pessoas continuam feridos, machucados e danificados. Elas não conseguem mais confiar em outros, portanto suas vidas encontram-se limitadas devido a uma suspeita atrás de outra.
Lembro-me bem de nossa primeira lição dolorosa sobre transparência. Estávamos em Denver nesse tempo. No passado, antes do meu pecado ser exposto, havíamos ministrado a vários grupos de MMI e eu sempre evitara ser honesto sobre o meu pecado. Embora fosse transparente em relação aos meus pontos positivos, eu não era transparente com relação a nenhuma de minhas falhas. Naquele dia, em Denver, estávamos em uma reunião especial feita em nossa homenagem. Durante o ano anterior tínhamos completado o nosso período de disciplina e recebemos a incumbência de sermos responsáveis por um ministério. Naquele dia, estávamos sendo promovidos a nossa primeira posição de supervisores, já que havíamos sido removidos do ministério pastoral. Ali estavam vários casais do Colorado e de alguns estados vizinhos. Tudo o que me lembro é que havia muitas pessoas, algo pela qual mais tarde lastimei muito.
Mike e Marilyn haviam pedido que falássemos ao grupo naquela noite, e Noline e eu preparamos um sermão pastoral de sete pontos para a ocasião. Estávamos prontos para começar quando Mike nos interrompeu e disse:
- Neil, por que você não compartilha com todos sobre o seu adultério?
Fiquei pasmo. Embora eu tivesse participado de tantos encontros de MMI e soubesse que é de se esperar que todos sejam abertos e honestos, eu nunca havia compartilhado. Pensei imediatamente em todas as razões pelas quais eu não deveria fazer o que estava sendo pedido. Eu sempre aprendera que omitir os seus próprios pecados era a regra número um dentro de um ministério. Você nunca deveria deixar as pessoas saberem sobre o seu passado ou elas perderiam o respeito por você. E, se as pessoas não nos respeitam, isso atrapalha a nossa habilidade de liderá-las com aceitação e autoridade.
Aquelas eram todas as desculpas que eu usara na maior parte de minha vida adulta para esconder os meus pecados passados. Não era de se surpreender a razão pela qual elas estavam me incomodando tanto. Não, eu não poderia fazer isso. Poderia?
Em uma fração de segundos percebi que eu tinha que confiar em meus supervisores. Eu precisava deixar de lado todas as minhas desculpas e fazer o que era necessário. Embora eu nunca tivesse feito isso antes, Deus iria ajudar-me como sempre fizera.
Naquela Noite, pela primeira vez em público, enquanto eu enrubescia e gaguejava, Nolie e eu falamos de forma franca sobre o passado e sobre a demissão de meu ministério – e sobre as suas verdadeiras causas. Foi a coisa mais difícil e humilhante que jamais pediram que eu fizesse. Senti-me envergonhado, chateado e arrependido de tudo novamente. Entretanto, ao terminarmos, descobrimos que a mentira do diabo era aquilo. O nosso temos de sermos rejeitados por termos pecado fora um erro. Fomos aceitos com amor por aqueles que nos ouviram e aquela noite marcou o começo de nossa jornada de sucesso para o alívio verdadeiro da dor de nosso passado.
Hoje, podemos compartilhar abertamente a qualquer lugar e a qualquer instante sobre nossas falhas e sobre a cura maravilhosa de Jesus. Nos recordamos da queda, mas a dor já se foi e a ferida está completamente curada.
A talha de água da libertação

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

A talha de água da restauração


Foto: Diógenis Santos

- Volte a todos os lugares onde você morou e restaure o seu relacionamento com todas as pessoas que eu colocar em seu caminho. Isso inclui especialmente todos de sua família.
A primeira vez que ouvi essas palavras em meu espírito, pensei: Sei que não pode ser o Senhor! Expulsei todos os espíritos que pensei estarem tentando me enganar. Mas ouvi as mesmas palavras em meu coração novamente:
- Vá e restaure.
Quando crescemos num ambiente que diz que nada deve deixar-nos “desconfortáveis”, a idéia (e principalmente o ato) de “restaurar” não é um conceito atraente. Porém, é o melhor caminho para ganhar a liberdade das ofensas passadas e construir cercas para nós mesmos ao redor de nossas áreas de fraqueza.
Durante o ano que passamos no escritório do ministério, em Denver, tivemos bastante tempo para permitir que o Espírito de Deus enchesse nossas “talhas de água” até a borda e posso lembrar-me de ter pensado: Deve estar chegando ao topo. Foi então que o Senhor desafiou-me a dar esse passo mais à frente, de obediência, com a ordem de voltarmos às cidades onde eu havia cometido pecado e restaurarmos. Até então, nenhum dos membros de nossas famílias sabiam a razão pela qual havíamos deixado as igrejas que pastoreamos (a não ser tendo como explicação a desculpa esfarrapada de que “o Senhor nos havia guiado”).
Voltar e enfrentá-los seria o maior desafio de todos. Sentimos em nossos corações que Deus sabia o que estava fazendo e que o Seu caminho era, indiscutivelmente, o melhor de todos – embora só o fato de pensar me ferisse muito. Estávamos aprendendo que a dor produzida por Ele resulta em vida abundante, enquanto a dor que nós produzimos (que pode não parecer tão prejudicial no momento) termina em morte.
Quando voltamos ao nosso país e às cidades para realizar a restauração, ficamos admirados pela forma graciosa como fomos recebidos por nossa família, amigos, colegas e membros da congregação. Pela primeira vez fui capaz de dizer a verdadeira razão pela qual havíamos saído dali; e ao tomar pessoalmente o peso de toda a culpa e responsabilidade de minhas ações, permiti que aqueles amigos e membros da família liberassem as ofensas que eles haviam guardado contra as pessoas que eles achavam ter nos machucado sem razão.
A talha de água da transparência

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

A talha de água da visão de fé

Serra da Mesa-GO
Foto: Diógenis Santos

Assim que nós, daqui por diante, a ninguém conhecemos segundo a carne; e, se antes conhecemos a Cristo segundo a carne, já agora não o conhecemos deste modo. 2 Cor. 5:16
A minha visão tinha tornado-se obscurecida e embaçada e a minha fé quase já não existia mais, o que preocupava Noline. Anos de pensamentos errados, o reforço do hábito e o conflito em nosso casamento tinham me deixado incapaz de “renovar” a minha mente e a mim mesmo. Eu estava totalmente sem o “vinho” e necessitando, desesperadamente, de um milagre. Minha “talha de pedra” estava seca e eu precisava da visão da mulher que Deus havia me dado como a parceira e companheira de vida. Eu precisava de uma “visão de fé”.
Uma visão de fé só pode vir da Fonte. Percebendo esse fato, fui ao Senhor em oração e disse apenas as coisas que eu sabia dizer:
- Senhor, sei como vejo Noline neste exato momento. Embora ela seja introvertida e muito teimosa, ela é uma grande mãe para os nossos filhos. Quando ela quer ser, ela é uma mulher muito dócil, mas quando ela não quer, ela consegue decepcionar.
- Senhor, estou frustrado também porque Noline não gosta do trabalho pastoral. Seu coração não está nisso. Mas, Senhor, quero vê-la através da Sua perspectiva. Como o Senhor a vê? Quais são os Seus planos para a vida dela? Quero concordar com o Seu desejo e não seguir os meus desejos egoístas. Por favor, revela-me como o Senhor vê Noline, através da Palavra, de profecia ou exortação. Estou aberto para a Sua instrução.
Mesmo pedindo ao Senhor uma nova “visão de fé” para Noline, eu não podia acreditar que Ele realmente me revelaria. Ele deve ter escolhido ignorar minha fraca fé, pois, como eu esperava n’Ele, ele falou graciosamente ao meu coração sobre minha mulher. Meus olhos estavam fechados em oração e meu espírito estava concentrado no Senhor, quando a voz interior do Espírito Santo falou a meu coração:
Noline não é como você. Chamei você para estar no meio de Meu povo. Como em um aeroporto movimentado, você está entre o povo enquanto eles correm para a frente e para trás para pegarem vôos diferentes. Noline, no entanto, é Minha agente especial da cabine de Informação. Ela tem a riqueza de muitos anos de estudo da Minha Palavra e tem um grande depósito da verdade guardado dentro de si. Quando alguém necessita de uma informação apropriada, Eu a dirijo para ela.
Enquanto eu meditava naquelas palavras do Senhor, comecei a me entusiasmar na expectativa de ver esse chamado acontecendo na vida de Noline. Não demorou para ter uma oportunidade de presenciar isso. Estávamos encerrando um curso de MMI, certa noite, quando uma senhora aproximou-se de nós. Perguntei se podia ajudá-la, mas ela disse um rápido não e pediu para conversar com Noline. Senti que eu não era necessário por ali e rapidamente deixei-as a sós. Quando aquela senhora deixou Noline, ela tinha lágrimas nos olhos e um grande sorriso na face. Querendo saber o que havia acontecido, perguntei a Noline o que ela havia dito a mulher para obter resultados tão imediatos. Noline apenas sorriu e disse:
- Ah, eu só compartilhei com ela alguns versículos que o Senhor havia colocado em meu coração.
Naquele momento, o Espírito Santo lembrou-me da “visão de fé” que ele tinha dado a mim. Meus olhos foram abertos e eu podia ver claramente mais uma vez. Deus tinha me dado uma mulher que era quase o meu oposto e Ele tinha feito isso para o meu próprio bem. Ele não queria duas pessoas extrovertidas correndo de um lado para outro como loucas. Ele queria uma equipe equilibrada com um visionário e uma ancora, com alguém que fosse um líder de pessoas e alguém que curasse os corações.
A seguir:
A talha de água da restauração

terça-feira, 1 de setembro de 2009

A talha de água da Palavra

Foto: Diógenis Santos

Deus deu, então, a Noline e a mim uma palavra muito clara sobre a “reforma” do caráter e sobre o cultivo da justiça em nossas vidas através do profeta Isaías:
A tua prata se tornou em escórias, e o teu licor se misturou com água... Porque vos envergonhareis dos carvalhos que cobiçastes, e sereis confundidos por causa dos jardins que escolhestes. Porque sereis como o carvalho, cujas folhas murcham, e como a floresta que não tem água. O forte se tornará em estopa, e a sua obra em faísca; ambos arderão juntamente, e não haverá quem os apague. Isaías 1:22,29-31
Este foi o caminho de Deus para mostrar-nos o que havia acontecido em nossas vidas e como poderíamos nos prevenir para que não se repetisse novamente. A nossa prata havia se tornado escória e nosso licor estava diluído. A justiça divina na qual eu havia andado e da qual eu havia desfrutado quando era um recém-convertido, tinha sido contaminada pelos caminhos mundanos e pelos problemas não resolvidos que eu permitira criar feridas em minha vida. Pior ainda, eu tinha diluído a Palavra de Deus (o licor) tanto em minha vida como na minha pregação. Eu diluíra o rico licor do Espírito Santo com um despejar crescente das águas poluídas de minhas luxúrias incontroláveis. Quando se põe água no licor de Deus, a própria vida é diluída, tornando-se espiritualmente impotente . Eu tinha “uma forma de piedade” mas, negara “o poder” dela (2 Tim. 3:5).
Comecei a perceber um outro aspecto errado em minha vida: eu tinha começado a acreditar que eu era um poderoso carvalho no Espírito, um carvalho sagrado, um tipo de carvalho “não toque em minha ferida”. Para ser franco eu havia cultivado uma visão bem inflada de mim mesmo. Eu fora uma vítima do engano do pecado e da mentira do diabo. Seu prazer é nos enganar fazendo-nos crer que somos algo que não somos. Quantos jovens pastores tornar-se-ão prisioneiros do inimigo nessa área, neste ano, como eu? As expectativas repousadas sobre os ministros do Evangelho são enormes de forma que os pastores jovens e inexperientes podem começar a viver imediatamente uma mentira tentando ser alguém que não é. O segredo para evitar essa queda é não confiar naquilo que você pensa ser, mas apoiar-se no que Ele é. Ele é o Alfa e o Ômega. Você é simplesmente um servo e filho de Deus, um mordomo. Você não pode reivindicar aquilo que não possui.
Comecei a perceber que eu havia trazido a minha própria desgraça devido aos “jardins” nos quais eu escolhera semear. Gálatas 6:7 diz: “pois aquilo que o homem semear, isso também ceifará”. Em que tipo de jardim você está plantando? O que você está cultivando em sua esposa e em seu ministério? O Senhor falou ao meu coração e aplicou o princípio de Lucas 16:10 diretamente em minha vida quando Ele falou: “Se você não pode ser fiel naquilo que é pouco, então não pode ser fiel no muito”. Se eu não pude ser fiel em dar o meu carinho e o meu amor a apenas uma pessoa, se eu não pude liberar e nutrir Noline para que ela se tornasse o que Ele desejava que ela fosse, então como eu poderia ser fiel às necessidades de um rebanho inteiro? Finalmente, eu estava aprendendo o que nunca fora ensinado no seminário: o cristianismo tem que ser desenvolvido em casa antes de ser exportado.
Deus mostrou-me que isso era uma lei espiritual. Ele pode pegar essa semente única de obediência e transformá-la em um casamento, lar, família e multiplicá-la, milhares de vezes. Eu cultivara o jardim de outras pessoas enquanto o meu estava em ruínas. Escolhera nutrir o meu orgulho ao invés de semear e colher a humildade. Eu permitira que a humildade murchasse e morresse em minha vida enquanto eu seguia a minha própria satisfação pessoal. Eu nutrira as esposas de outros homens enquanto negligenciava e desprezava minha própria esposa. No final, minha luxúria crescera, tornando-se uma planta alta que produziu muitos frutos, enquanto a fidelidade ao meu Salvador, a minha esposa e ao meu chamado para a santidade eram abafados pelas sementes da negligência e morriam.
A justificação foi a flor vistosa prostituindo-se a si mesma no meio do jardim enquanto extinguia cada uma das outras plantas e ervas floridas. No final, o profeta Isaías diz que aqueles que escolherem o licor diluído, os carvalhos pagãos e seus jardins tornar-se-ão como uma árvore que está morrendo e “uma floresta sem água”. “O forte” ficará como “estopa” e as suas obras vazias serão faíscas que arderão em fogo que não pode ser apagado.
Mais tarde, quando a nossa estação de disciplina havia acabado, Noline e eu compramos uma casa na Pensilvânia, e essa passagem de Isaías tornou-se uma lembrança viva de quão perto havíamos estado de um desastre total em nossas vidas. A casa estivera desocupada devido a uma disputa de testamento, assim ninguém havia morado nela durante um ano, nem cuidado do seu um acre e meio de terra. Você pode imaginar como estava a grama dessa propriedade, sem falar da altura das sebes. Nós tivemos que literalmente repossuir a terra. Havia tanta erva daninha no jardim que levamos dois anos para arrumar de tal forma que as flores pudessem crescer novamente. Gastamos horas de trabalho para devolver a beleza daquele lugar.
Nosso casamento precisava ser restaurado daquela mesma forma. Eu me sentia constrangido pela necessidade desesperada de restauração. Noline e eu percebemos que o período de restauração que havíamos tido em Denver, com Mike e Marylin Phillipps fora apenas o começo. Seria tão difícil recuperar a nossa propriedade perdida quanto fora restaurar a casa abandonada que havíamos comprado.
A propriedade tinha também um grande carvalho. Parecia ser forte, mas os sinais de deteriorização ou a falta de adubos eram visíveis em suas folhas, que começavam a mudar a cor, de um verde exuberante para um marrom feio. Eu podia me identificar com aquela árvore. Eu havia participado de reuniões e visto sinais de “sequidão” na vida do palestrante. Antes eu era geralmente rápido para criticar, mas hoje demoro em apontar o meu dedo para os outros. Sei o que isso significa. As pessoas sabem quando você não tem a unção de Deus em sua vida. Não importa se você dirige um Cadillac, possui uma mansão ou usa um terno de R$ 800,00. As “coisas” não provam que você é abençoado ou que Deus, necessariamente, se agrade de você.
A lei de semear e colher é uma lei universal que qualquer pessoa pode utilizar. É como um homem não convertido, que tinha um coração corrompido, endurecido e ganancioso, e ouviu sobre o princípio do dízimo e começou a dar dez por cento de tudo que ganha. Este homem começou a prosperar, pois ele colhia o que semeava, mesmo continuando a ser um incrédulo. O dízimo alcançou-lhe favor aos olhos de Deus? De forma alguma. Foi apenas a ação da lei de semear e colher.
A mesma verdade aplica-se a muitos cristãos hoje em dia. O que conta mesmo é a unção do Senhor. A unção faz-nos crescer. O sermão de um homem pode soar bem, mas pode não ter a unção que apenas pode vir de um jardim divino, cultivado e trabalhado sob a direção do Senhor.
O homem olha a aparência, mas Deus olha o coração. O Senhor não está tão interessado em nossos milagres, mas sim em nosso caráter. Se desejarmos, Ele nos guiará através do que for necessário para produzir o caráter em nossas vidas. Por anos, foi um processo gradual, passo a passo, pois o Senhor encheu de forma amorosa, cada uma das nossas talhas vazias.
A talha de água da visão de fé

sábado, 29 de agosto de 2009

A talha de água da obediência

Trizidela do Vale-MA
Foto: Diógenis Santos
A talha de água da obediência
Apesar da falta de resultados aparente, sentíamos que era importante continuarmos obedecendo. Jesus disse aos servos, no casamento em Cana da Galiléia, o que Ele queria que eles fizessem, e eles obedeceram – embora devam ter se sentido um tanto tolos ao derramar a água naquelas enormes talhas.
Deus se encarrega do sobrenatural, mas espera que nós façamos a nossa parte no natural. Muitas pessoas no Corpo de Cristo estão condicionadas a ir à frente e receber imposição de mãos, esperando por alguma manifestação de uma cura miraculosa. Deus realmente cura, mas Ele também ordena que você faça alguma coisa. Ele espera que cada um de nós seja obediente àquilo que Ele nos mostrar. Assim, cada indivíduo precisa ouvir a voz de Deus de forma pessoal e saber o que Deus quer dele (a). Para Noline e eu, era submetermo-nos a Mike e Marilyn Phillipps e à direção que eles nos dariam. E devíamos retornar ao devocional diário lendo a Bíblia e orando juntos. Francamente era um alívio ser capaz de fazer “alguma coisa” porque, naquele ponto de nossas vidas, estávamos nos sentindo bem inúteis.
Mais do que inúteis, às vezes eu achava que estávamos retrocedendo. Comecei a sentir que Mike estava pegando no meu pé devido a pequenas infrações ou pela forma como eu percebia as coisas e eu odiava isso. Eu torcia o nariz a cada confronto de minhas atitudes e pelo fato de constantemente culpar as outras pessoas. Eu me ofendia com a constante prestação de contas que Deus estava exigindo de mim.
A formação do caráter requer uma rendição de tudo o que a carne valoriza e protege, e eu tinha anos de experiência para superar. Além disso, a Palavra de Deus não parecia ser aplicável à minha vida diária, não parecia responder aos meus problemas imediatos. Ao olharmos para trás, no entanto, fica claro que Deus estava trabalhando. Ele sabia daquilo que nós mais precisávamos naquelas horas, e nossas “talhas vazias” estavam sendo cheias novamente, de forma vagarosa, porém segura.
Mais do que nós desejamos para nós mesmos, Deus deseja que as pessoas que estejam machucadas ou quebradas sejam curadas. A verdade é que nós não sabemos como começar a encher as nossas talhas vazias por nós mesmos. Viver sem a cura de Deus, é como viver em uma casa com buracos na parede, por onde se penetra todos os tipos de insetos e se é exposto às chuvas e ao vento. A primeira coisa a se fazer, antes que alguém se mude é consertar o buraco. Você não pode começar comprando tapetes, cortinas, papel de parede e quadros se não tiver solucionado o problema real. Se você não consertar o buraco da parede, então todas as outras coisas que comprar para decorar a casa vão ser desgastadas e destruídas.
Muitas pessoas que aprendem sobre a construção de um relacionamento cometem o mesmo tipo de erro: tentam embelezar seus relacionamentos, consertando ou adornando elegantemente objetos superficiais, sem primeiro consertar as brechas. Não interessa quantas vezes elas tentam embelezar um relacionamento quebrado. Tudo sempre se estraga porque as brechas mais importantes foram ignoradas ou olhadas por cima. É preciso deixar o Senhor consertar a ferida-brecha primeiro, para que então todo o resto dos detalhes sejam decididos. Ele usará as pessoas e as circunstâncias mais diferentes para fazer isso. A Bíblia diz: “O Senhor firma os passos do homem bom” (Salmos 37:23). Deus tem em mente lugares e pessoas específicas para você. Deixe Deus ser Deus e renda-se totalmente ao Seu trabalho em seu casamento e família.
A talha de água da Palavra

Capítulo 11 – Enchendo as talhas novamente


Foto: Diógenis Santos

Estavam ali seis talhas de pedra que os judeus usavam para as purificações, e cada uma levava duas ou três metretas. Jesus lhes disse: Enchei d’água as talhas. E eles as encheram totalmente. João 2:6-7
NEIL:
Da mesma forma como o jovem casal da Bíblia no casamento em Cana da Galiléia, Noline e eu começamos a andar o nosso caminho de discipulado e cura. Enquanto começávamos a realmente buscar a Deus para cura e direção, fomos guiados a essa passagem do Evangelho de João.
Deus nos disse para derramarmos a água da Palavra nas talhas vazias de nossas vidas. A água, em sua forma pura, é inodora, insípida e incolor; e era exatamente dessa forma que víamos a “água da Palavra” logo que começamos a ler e a orar. Mesmo assim continuamos a ler e a orar, mesmo que a Palavra parecesse vazia. No início, não víamos cousa alguma acontecendo, nada parecia estar mudando.
A talha de água da obediência

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

A terceira estação: Ele nos restaurará


Foto: Diógenis Santos

Na terceira fase de nossa cura, Noline e eu desfrutaríamos do propósito de Deus para as nossas vidas: Ele nos restauraria! Aquilo que o diabo tinha roubado através do meu pecado, rebelião e decepção, Deus agora podia dar-nos de volta. O diabo tinha que pagar-nos sete vezes mais por tudo que havia roubado. A restauração pode tanto significar termos a permissão de retornar ao trabalho e ao chamado que tínhamos antes do pecado ou não. A chave é render o nosso futuro a Ele e confiar n’Ele para a renovação que Ele deseja.
Tínhamos, então, um propósito e tínhamos uma direção. Naquele tempo, eu desejava aceitar qualquer coisa que o Senhor colocasse em nosso Caminho. Através do sustento de muitos amigos leais, amigos que investiram em nossas vidas pelos dois anos seguintes, nós não apenas sobrevivemos – começamos a crescer.
Isso acontece da noite para o dia?De forma alguma! Deus investiria em nós o tempo necessário para completar a Sua obra. Ele pretendia arraigar os princípios de um novo caminhar de forma tão profunda em mim que duraria a vida toda!
Se há algo em que creio é que, se você render-se a Deus – as circunstâncias ou erros não interessam – seu futuro será sempre melhor do que aquilo que você teve antes de render-se a Ele. Deus estará cem por cento com você! Quando você perder o “Plano A” de Deus para sua vida, você não terá que contentar-se com o plano B, C, ou D. Não, Deus simplesmente cria um novo “plano A” – se você continuar a fazer as coisas da forma d’Ele e não da sua. Essas três estações de cura têm um propósito maior: restaurar-nos para a Sua presença. Ele quer que vivamos em Sua presença e desfrutemos d’Ele o máximo.
Nada é mais devastador para um cristão que já tenha conhecido a presença de Deus, do que sentir-se impossibilitado de voltar ao trono da graça por causa do pecado. Se eu pudesse gravar algo em seu coração seria isso: Deus ama você e Ele sente falta da sua companhia. Seus pecados separaram você d’Ele, mas Ele deseja trazê-lo (a) de volta através do Seu processo de restauração, pela Sua Palavra. Responda agora, hoje. Retorne ao Senhor e à Sua presença.
Nós experimentamos a humilhação esmagadora, mas também experimentamos a reabilitação carinhosa.
Capítulo 11 – Enchendo as talhas novamente

terça-feira, 25 de agosto de 2009

A segunda estação: Ele nos ressuscitará


Foto: Diógenis Santos

Uma vez tendo finalmente retornado ao Senhor através do poder do Espírito Santo, Ele nos ressuscitará. Isso ocorre quando “a primavera chega com toda força e o inverno se vai". Em minha própria vida, novos botões de vida e brotos de flores logo floresceriam de galhos há muito tempo considerados mortos e sem vida. O vigor de uma nova vegetação surgia da terra tratada e trabalhada de nossos corações. Melhor do que todas as alegrias e prazeres era começarmos a sentir a doce fragrância do Espírito do Senhor outra vez!
Será que Lázaro, que morreu, pode viver novamente? Poderá a vara de Arão brotar novamente as amêndoas? Certamente! Jesus disse: Eu sou a ressurreição e a vida (João 11:25). Sabíamos que viveríamos de novo, sabíamos que isso se aplicava não apenas às nossas vidas pessoais, mas ao nosso casamento também. Sempre que permitirmos, o Senhor renovará o louvor em nossa alma, um novo amor pela Palavra e um novo amor e afeição pelo nosso cônjuge e pelo Seu povo. Ele estava mesmo colocando um novo amor em meu coração, haja vista “as ferramentas” que Ele usara para ajudar na minha queda.
A terceira estação: Ele nos restaurará

domingo, 23 de agosto de 2009

A primeira estação: retornar

Taguatinga-DF
Foto: Diógenis Santos

Vejo nesta passagem três estações envolvidas no processo de restauração. Como Noline e eu começássemos a passar por estas três estações juntos, através da sábia direção de Mike e Marilyn, nossas suspeitas foram confirmadas. A primeira estação do arrependimento, quando deveríamos voltar para o Senhor foi a mais difícil. Tivemos que suportar a tempestade, para que o verdadeiro remorso, que leva ao arrependimento genuíno, fosse gerado. Todos temos duas escolhas quando encaramos a disciplina ou a poda do Senhor. Podemos andar pelo caminho da obediência e responder rapidamente ao Espírito Santo em sua primeira chamada, ou podemos fazer coisas da forma mais difícil- como eu sempre fizera. Os corações rendidos são disciplinados, mas os corações endurecidos devem ser quebrados para que haja libertação. Como ovelhas veradadeiras do Seu pasto devemos chegar ao arrependimento. Embora eu tivesse gasto a maior parte da minha vida adulta procurando por um “outro caminho”, eu tinha finalmente percebido que Deus realiza isso apenas de uma forma – a forma que ele estabeleceu na sua Palavra.

A segunda estação: Ele nos ressuscitará

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Discipulado


Foto: Diógenis Santos

Aquele primeiro ano tornar-se-se-ia a “escola de discipulado” que nunca tivéramos no passado. Foi dirigida por pessoas que realmente nos amavam e desejavam perseverar conosco mesmo que eu os levasse ao seu limite. Eram diferentes de quais quer pessoas com quem eu me relacionara, e levou tempo para eu confiar neles, inteiramente, em certas áreas.
Uma dessas áreas era o meu relacionamento com imagens autoritárias. No passado, eu ficava com um grande nó no estômago cada vez que era chamado para uma visita ao escritório do pastor principal. Eu não tinha idéia do que aconteceria e isso me desgastava e finalmente resultava em úlcera. As primeiras vezes que ouvi a voz do Mike gritar em meu escritório:
-Neil, venha aqui ao meu escritório.
Sentia o nó bem familiar apertar dentro de mim.
Relutantemente, eu deixava o que estava fazendo e ia para o escritório dele, temendo o pior. Quando eu dava o primeiro passo dentro da sala dele, ele dizia algo como por exemplo:
-Sente-se. O que você acha que nós poderíamos fazer aqui nessa cidade?
Eu não podia acreditar que Mike estava solicitando minhas idéias ao invés de cair em cima de mim por alguma coisa errada que eu tivesse feito. Que mudança bem-vinda! Eu descobriria que essa atitude era típica de Mike Phillipps. Vagarosamente comecei a confiar nele. Ele e Marilyn nos amavam e isso era demonstrado nas horas boas e também nas repreensões, correções e instruções. Tenho sempre admirado seus esforços em serem francos e transparentes no jeito de lidar com os outros. O lema deles é “Aquilo que você vê é a realidade”. Não havia portas secretas com eles e eles não aceitariam isso de nossa parte.
Os relacionamentos genuínos são formados e moldados no fogo, na bigorna da vida. Assim é com o caráter divino, a fibra que Deus usa para construir o Seu Reino. Infelizmente, embora eu possuísse muitos dons que me mantinham na ativa, eu tinha pouca fibra ou caráter divino. Quando estava na mira do revólver, eu “justificava” constantemente as minhas ações ao invés de assumir a responsabilidade. Eu também deixava de lado os meus verdadeiros sentimentos quando era confrontado sobre as pessoas que haviam me ferido. Por exemplo, podia dizer a Mike e Marilyn, depois que alguma questão tivesse tocado num ponto dolorido:
-Bom, vocês deviam ter visto o que eles fizeram!
No entanto, cada vez, os Phillipps traziam-me de volta novamente para o ponto crucial da questão: Deus estava lidando com o meu pecado – e não com os pecados do pastor principal, da mulher do pastor ou de outros líderes da igreja. Eu agradecia profundamente essa disciplina necessária. Como nos mostram as Escrituras:
Pois eles nos corrigiam por pouco tempo, segundo melhor lhes parecia; Deus, porém, nos disciplina para aproveitamento, a fim de sermos participantes da sua santidade. Toda disciplina com efeito, no momento não parecer ser motivo de alegria, mas de tristeza; ao depois, entretanto, produz fruto pacífico aos que têm sido por ela exercitados, fruto de justiça. Heb. 12: 10-12
Da mesma forma, a disciplina é dura e o processo é doloroso, mas a conseqüência disso tudo é paz e justiça. Eu ansiava profundamente por ambas, embora pensasse, às vezes, que nunca sobreviveria ao processo. As verdadeiras questões da minha vida estavam na bigorna não por escolha própria. Minha situação pode ser descrita melhor através das palavras de Jesus dirigida aos seus discípulos no Jardim do Getsêmani: “o espírito está pronto, mas a carne é fraca” Mat. 26:41.
A mão de Deus havia me colocado em Sua fornalha ardente da purificação. Eu deveria permitir que o Seu fogo queimasse minhas impurezas e que o seu martelo esmagasse cada imperfeição que não estivesse de acordo com a Sua Palavra e com o Seu destino para minha vida. Sabia que Ele não abrandaria até que eu pudesse finalmente deixar o passado de uma vez por todas. Ele seria persistente até formar e cravar a imagem de Seu filho em meu caráter. Estava deteminado a colocar amorosamente os laços de amor real e o caráter divino em mim para manter-me forte e seguro em minha aliança de casamento com Noline. Foi através desse processo doloroso e lento que Deus começou a operar em mim a justiça de Seu filho.
O profeta Oséias revelou o triplo plano de Deus para trazer Seus filhos errantes de volta à sua herança n’Ele:
Vinde, e tornemos para o Senhor, porque ele nos despedaçou, e nos sarará: fez a ferida e a ligará. Depois de dois dias nos revigorará; ao terceiro dia nos levantará, e viveremos diante dele.
A primeira estação: retornar

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Mudança para Colorado


Foto: Diógenis Santos

Os Phillipps concordaram em supervisionar o ano de disciplina exigido de nós pelos líderes de nossa igreja. Isso significava que teríamos que vender nossa casa e nos mudar para o Colorado. Pouco depois de Noline e eu termos “tirado licença” do ministério em 1987, fomos par ao Colorado juntarmo-nos a eles para uma cura e uma ministração pessoal desesperadamente necessária.
Não havia garantias financeiras e eu teria que procurar um emprego tão logo chegássemos em Denver. Dessa forma, quando chegamos, ajudamos a reformar a parte debaixo da casa vizinha dos Phillipps. Quando acabamos, o andar de cima tornou-se a nossa casa e a parte de baixo o escritório do ministério pelos próximos dois anos. Então , para que não tivéssemos que procurar um serviço secular, os Phillipps nos integraram à sua equipe de escritório. Lá aprendemos muitas atividades novas e evoluímos de nossa total ignorância quanto à informática para o desenvolvimento da habilidade de trabalhar com dados e informações. Se a minha reeducação tivesse sido tão fácil quanto isso...
Simpatia versus empatia
Fui para o Colorado, achando que os Phillipps seriam amigos simpáticos que estariam ao meu lado, em minha situação de angústia miserável. A atitude deles foi muito diferente da que eu imaginara. Descobri que, embora eles nos amassem verdadeiramente, seu ponto de vista sobre nossa cura era diferente do meu. Tudo que eu tentava “justificar” ou “descartar” na presença dos Phillipps era contestado e era disso exatamente que eu precisava. Nunca conhecera alguém que gastasse tempo para contestar tudo que eu fizesse. Considerei o ensino deles como a diferença entre empatia e simpatia.
Qual é a diferença entre as duas? Se você anda pela sua cozinha depois de uma festa com os convidados e vê toda a louça suja amontoada na pia, a simpatia dirá:
-ah, querida, que duro você ter tanta louça para lavar! Ficarei aqui perto fazendo companhia enquanto você a lava, sinto muito por você não ter uma lava-louça.
A empatia, ao contrário dirá:
- Vamos fazer uma coisa: você lava e eu enxugo. Vamos acabar num instante.
Empatia como palavra significa colocar-se no lugar do outro, sentir o que o outro está sentindo; e, como um conceito espiritual é tornar-se parte da solução do problema do amigo.
A seguir:
Discipulado

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

NEIL: O Oleiro Mestre (continuação)


Foto apenas ilustrativa
Foto: Diógenis Santos
NEIL:
Nos dias que se seguiram tive a oportunidade de examinar minha vida passada com detalhes. Uma das coisas que parecia ajudar a explicar a razão pela qual eu tinha caído pela segunda vez era que eu não tinha realmente me arrependido do meu pecado, apenas senti por ter sido desmascarado. O apóstolo Paulo escreveu para os coríntios:
Porquanto, ainda que vos tenha contristado com a carta, não me arrependo; embora já me tenha arrependido (vejo que aquela carta vos contristou por breve tempo),agora, me alegro não porque fostes contristados, mas porque fostes contristados para arrependimento; pois fostes contristados segundo Deus, para que, de nossa parte, nenhum dano sofrêsseis. Porque a tristeza segundo Deus produz arrependimento para a salvação, que a ninguém traz pesar; mas a tristeza do mundo produz morte. 2 Cor. 7:8-10
Como se fossem inúmeros ofensores diante de mim, tentei usar o remorso ou o arrependimento para me libertar do pecado escondido. Eu realmente sentia muito por ter sido pego. Eu sentia pelo adultério ter acontecido. Eu estava arrependido por ter machucado tantas pessoas ao longo do caminho, mas eu tinha que aprender pelo caminho mais difícil que o remorso não é o suficiente porque ele não traz a liberdade! O arrependimento deve ser verdadeiro. Quando o arrependimento é ignorado, você é deixado num estado de esquecimento, isento do poder para sair de sua prisão. Por isso, é sempre conduzido ao pecado de novo.
As Escrituras declaram:
Arrependei-vos, pois, e convertei-vos para serem cancelados os vossos pecados, a fim de que, da presença do Senhor, venham tempos de refrigério... Atos 3:19-20
De repente, comecei a perceber que aquilo através da qual Deus estava pedindo para eu andar no processo de “quebra” eram as barras de ferro da minha própria prisão! Não era de se admirar que eu não conseguira nenhuma “brecha” com o Senhor. Minha própria recusa em arrepender-me não me levou a nada exceto a tornar-me um prisioneiro esquecido em uma cela. De alguma forma eu sabia que, quando eu fizesse as coisas na maneira de Deus, mesmo sendo o caminho mais difícil pelo qual eu andaria, finalmente estaria livre! Eu não tinha percebido ainda que o Seu plano envolvia o processo de moer e quebrar – trazer-me ao arrependimento verdadeiro. Só então eu poderia começar a andar fora da jaula construída por mim mesmo.
Por anos eu preguei incontáveis sermões sobre o arrependimento genuíno, mas até aquele momento esse assunto não tinha ultrapassado o meu entendimento racional. Agora eu estava aprendendo “de primeira mão” que o arrependimento envolve mais do que simplesmente admitir o erro. O arrependimento de Deus requer que nos aborreçamos do pecado e uma virada de 180 graus em direção contrária ao pecado. Deus ordenava, então que eu vivesse um estilo de vida que envolvesse o verdadeiro arrependimento.
Eu estava admirado com a profunda graça de Deus. Embora tivesse tentado evitá-Lo e até mesmo mentido para o Seu povo, encontrava-me agora andando por um caminho que me levava à vida após um resgate liderado pelo próprio Deus! Ele havia escolhido as pessoas para trabalharem a Sua salvação nos lugares mais profundos de minha vida. Ele tinha ouvido minhas súplicas desesperadas por piedade e tinha me resgatado de minhas próprias fraquezas. Que Deus maravilhoso nós servimos! Dou a Ele toda glória e louvor.
A seguir:
Mudança para Colorado

domingo, 16 de agosto de 2009

NOLINE: O Oleiro Mestre

/>Vaso novo
Foto: Diógenis Santos

Depois daquele culto de domingo a “outra mulher” confrontou Neil e ele confirmou que havia me contado sobre o caso. Ela foi imediatamente ao pastor principal e naquela quinta-feira Neil e eu fomos chamados a uma reunião de presbíteros para sermos confrontados sobre tais alegações. Eu estava contente por ter revelado a Neil a palavra que o Senhor tinha dado para ele através de mim. Eu disse a ele:
- Neil, isto é obra do Senhor. Não se defenda. Simplesmente permaneça em silêncio durante todo o processo.
Agimos dessa forma, embora fosse uma experiência humilhante e vergonhosa. Todos olhavam para meu marido, sabendo que ele tinha sido infiel e eu odiava imaginar o que eles estavam sentindo em relação a ele. Seria repugnância e descaso? Ou eles simplesmente sentiam vergonha e descrédito? Tudo o que eu sabia era que nós íamos encarar as conseqüências desse pecado juntos.
Meu único consolo era saber que Deus estava no controle. Na semana seguinte, Neil tinha sido publicamente exposto tanto no culto do domingo de manhã como na reunião da quarta-feira à noite. Ele ficou arrasado por ficar fora do ministério que ele tanto amava e ficou sob uma disciplina severa. Ele já não tinha permissão de sentar-se na fileira da frente. Tinha que encontrar um lugar em meio à congregação, o que fora uma humilhação para ambos.
Foi tão difícil nos levantar no domingo seguinte, sabendo que teríamos que encarar todas aquelas pessoas novamente com seus olhares e pelo desconforto de terem que conversar conosco. O que elas podiam falar? Como elas reagiriam conosco? Foi tão desconfortável e terrível que me senti como se estivéssemos com lepra! Nossos filhos não sabiam o que tinha acontecido; eles apenas sabiam que seu pai estava em agonia por algum problema desconhecido. O Senhor lembrava-me repetidamente de que Ele estava fazendo aquilo e era Seu desejo quebrantar Neil para que, como Oleiro Mestre, Ele pudesse então usar uma argila mais macia e manipulável na roda giratória para o preparo no processo de remodelagem.
O meu conselho e recomendação para todas as mulheres que têm dúvidas ou suspeitas sobre seus maridos é buscar a Palavra de Deus. Peça a deus para dar uma “visão de fé” para seu marido. Peça a Ele para mostrar como Ele vê seu marido e qual é o Seu ponto de vista. Então, escreva aquilo que Deus lhe disser e creia em Suas palavras – a despeito das circunstâncias. Fique firme na Palavra e permita que Deus faça o Seu trabalho completo em seu marido. Isso a fortalecerá – mesmo se o seu mundo parecer estar ruindo sobre você.
NEIL:

sábado, 15 de agosto de 2009

O sopro final

Foto: Diógenis Santos
Após ter contado a Noline sobre o meu segundo adultério, ficamos ambos bem sensíveis. Precisávamos de tempo e espaço para permitir que o bálsamo curador de Deus trabalhasse em nosso casamento desestruturado e em nossas vidas feridas: mas o tempo e o espaço não viera da forma que esperávamos. Como dividíamos o púlpito com o pastor principal, a quem eu houvera convidado para trabalhar comigo, tínhamos uma escala para cada domingo. Era a minha vez de pregar naquela manhã fatal de domingo, quando declarei publicamente que, pela primeira vez em cinco anos, “não havia absolutamente nenhum segredo escondido entre minha esposa e eu. Somos totalmente transparentes um com o outro.”
O confronto inevitável com minha amante e a desgraça pública vieram rapidamente. Eu falhara em aprender uma das lições mais importantes que todo líder deveria saber e respeitar: todos nós precisamos de outros para nos ajudarem a reconhecer as áreas de cegueira em nossas vidas. O ato de prestar contas entre os irmãos permite que a fraqueza e o pecado sejam rapidamente desmascarados, quando ainda podem ser tratados em particular, antes que outras pessoas sejam feridas. Quando não existe o hábito de se prestar contas, o Espírito Santo precisa agir trazendo uma dor muito maior e a correção pública aos filhos de Deus.
Ao enfrentar a congregação na noite da quarta-feira seguinte, percebi que aquilo era um encontro com o destino que eu já não podia mais evitar. O pecado que eu confessara para minha esposa em particular estava agora destinado a se tornar algo público. Quando os presbíteros expuseram a verdade sobre o meu passado de adultério, minha parede de engano, cuidadosamente construída, caiu em ruínas. Fui considerado, então, publicamente mentiroso e adúltero. Eu havia sido desmascarado e estava exposto e demolido. Em minha miséria, naquela noite, eu não havia percebido, mas naquele momento todas as minhas mentiras tinham sido extraídas de mim – uma vez que a pretensão fora removida e a necessidade de ocultar as minhas culpas desaparecera – finalmente eu podia dar um passo em direção à graça de Deus. A minha carne fora crucificada naquela noite. Assim que o meu pecado fora revelado perante todos, Satanás perdeu uma de suas fortalezas mais poderosas sobre a minha vida. Eu vinha “dando lugar” a ela através de meus artifícios contínuos para esconder o meu pecado. Agora ele estava descoberto diante de todos e Satanás perdia sua arma mais poderosa contra mim. O primeiro estágio de “arrancar e derrubar” estava completo. Agora o Senhor começaria o processo de reconstrução.
Não foi fácil
Não foi fácil. Naquela noite senti-me como um homem sendo linchado pelos vigilantes. Embora eu tenha culpado os presbíteros da igreja, fora Deus quem havia exterminado o meu pecado escondido de adultério e a prolongada decepção. Levaria quase dois anos inteiros para que as escamas da raiva e da amargura caíssem totalmente dos meus olhos, dois anos até que eu pudesse admitir que o problema não era a liderança da igreja, dois anos para admitir que meus problemas haviam sido causados devido a minha própria culpa. Levaria ainda mais um tempo para que eu começasse a realmente viver sem a decepção.
Sem eu saber, Deus já havia preparado um programa de “desintoxicação” para a minha vida e eu já conhecia o diretor do meu programa de restauração espiritual. Eu seria restaurado biblicamente sob a forte liderança de Mike e Marilyn Philipps, os instrumentos que Deus usou para ajudar-me a, finalmente, confessar o meu pecado para Noline.
Deus enviou corvos para alimentar o seu profeta nas horas de sequidão; Ele mandou anjos para protegerem os Seus discípulos nas horas de perigo; e Ele colocou Mike e Marilyn que, então, tornaram-se nossas fontes de refúgio e cura. Nas semanas que se seguiram, após aquela dolorosa noite de quarta-feira, eu realmente acreditei que todos os problemas de minha vida haviam sido causados unicamente por mim, mas os Phillipps me apoiaram e me escutaram inúmeras vezes. Gastamos horas ao telefone com eles enquanto nos instruíam sobre o que fazer com nossas vidas despedaçadas. Grande parte da minha cura e da nossa restauração deu-se através da constante supervisão e do equilíbrio de nossos líderes e amigos. Hoje eu sei que eles foram literalmente as mãos de Deus estendidas a duas pessoas feridas.
A parte mais interessante da graça de Deus em nossa crise é que Ele alcançou-me e resgatou-me. Eu podia entender os Seus cuidados para com Seus profetas e apóstolos, mas era muito difícil entender porque Eles ajudariam um “ninguém” que havia falhado tanto, enquanto fingia ser bem-sucedido a todas as pessoas. A minha oração era para que o valor da misericórdia e da graça que Noline e eu temos compartilhado possa reassegurá-lo que a graça de Deus está estendida para todos os seus filhos – incluindo você, se você humildemente procurá-lo.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Capítulo 10 - Humilhação esmagadora e reabilitação carinhosa


Foto: Diógenis Santos
Todo o que cair sobre esta pedra ficará em pedaços; e aquele sobre quem ela cair ficará reduzido a pó. Luc. 20:18
NEIL:
Se apenas a confissão do meu pecado tivesse resolvido a causa dele e não apenas os resultados! O texto diz "ficará reduzido a pó". Com Deus temos apenas duas escolhas: podemos escolher sermos quebrados pela Palavra ou Ele nos reduzirá a pó. Isso pode soar um tanto primitivo para nós, homens modernos mas Deus, o Oleiro Mestre, não pode moldar-nos em vasos como Ele deseja se houver impurezas.
Quando, verdadeiramente nos permitimos ser quebrados totalmente, através do poder convencedor do Espírito Santo e da Sua Palavra, Deus é capaz de nos moldar sem que precisemos passar pelo "processo de quebra". Este, é claro, é o melhor caminho. Porém, não foi o meu caso,pois eu tinha me recusado a obedecer-Lhe inteiramente mesmo com os muitos estímulos e sopros do Espírito Santo.
O profeta Isaías declarou:
Pelo que assim diz o Santo de Israel: Visto que rejeitais esta palavra, confiais na opressão e na perversidade, e sobre isso vos estribais, portanto essa maldade vos será como a brecha de um muro alto, que, formando uma barriga, está prestes a cair, e cuja queda vem de repente, num momento. O Senhor o quebrará como se quebra o vaso do oleiro, despedaçando-o sem nada lhe poupar; não se achará entre os seus cacos um que sirva para tomar fogo da lareira ou tirar água da poça. is. 30:12-14
Minha parede de mentiras e engano estava para ser derrubada. Se eu apenas tivesse dado ouvidos ao Senhor na primeira advertência, na primeira correção de Suas amorosas mãos, eu não teria que passar por essa quebra! Aos olhos humanos, parecia que eu estava visualizando um desastre total, mas eu tinha que confiar no Senhor e crer que Ele sabia o que estava fazendo e que a Sua promessa me manteria firme durante o período de quebrantamento. Mesmo quando o meu mundo começou a desmoronar na frente de todos, eu tinha a promessa de que Ele estava comigo. Repetidas vezes eu O ouvira falar e saberia que eu estava no caminho certo.Embora o Senhor vos dê pão de angústia e água de aflição, contudo não se esconderão mais os teus mestres, os teus olhos verão os teus mestres. Quando te desviares para a direita e quando te desviares para a esquerda, os teus ouvidos ouvirão atrás de ti uma palavra, dizendo: Este é o caminho, andai por ele. Is. 30:20-21
A humilhação pública que eu seria forçado a suportar seria seguida de um período de novo treinamento e Deus estava para mostrar-me os Seus mestres, aqueles a quem Ele havia escolhido para o meu reaprendizado.
A seguir:
O sopro final

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Jesus não prometeu amnésia

Foto: Diógenis Santos
Até hoje não sei se Noline e eu estamos cem por cento curados do passado. Tudo o que sei é que podemos tocar nas áreas afetadas sem sentirmos dor. As feridas acabaram e apenas as cicatrizes permanecem. Jesus não disse que Ele permitiria que tivéssemos amnésia, mas disse que curaria a nossa dor e as nossas feridas.
O pecado que nos separava havia sido removido e sabíamos que Deus começaria a nos moldar como uma só carne novamente. Após ter exposto o adultério, o Senhor trouxe à minha mente uma profecia que fora dada a nós há alguns anos, que dizia:Deus os tomará como os dois ponteiros de um relógio e os porá em sincronia. Ele os tornará um. As pessoas verão que vocês estão na mesma sincronia de Deus e de um para o outro.

Senti que o cumprimento daquela profecia era bem claro. Eu ainda não estava totalmente restaurado. Eu havia dado um primeiro passo importante, mas haviam outros passos esperando por mim. Embora tivesse confessado o meu pecado para Noline eu não havia lidado com o sentimento de decepção que havia dominado a minha vida por anos. Não interessava o quanto eu justificasse a mim mesmo e enganasse os outros, eu não podia enganar o meu próprio coração ou o de Deus. Eu fora perdoado por Deus, mas precisava ser remodelado pelas mãos do Oleiro. O Oleiro Mestre tinha que trabalhar muito mais em meu coração. Porém, eu estava contente por ter procurado a Sua ajuda.

a seguir: Capítulo 10 - Humilhação esmagadora e reabilitação carinhosa

terça-feira, 4 de agosto de 2009

NOLINE e NEIL


Foto: Diógenis Santos
NOLINE:
Deus é tão fiel a nós. Sua Palavra é a nossa força em tempos de fraqueza. Eu pouco sabia que Deus estava quebrando o coração do Neil para aniquilar o pecado de sua vida! Numa manhã bem cedo, quando acordei, descobri que Neil já havia se levantado e estava em seu escritório fazendo o seu devocional. Eu não tinha idéia de quanto tempo ele estivera lá, mas acendi a luz e comecei a ler a Bíblia. Mais ou menos às 5 horas ele voltou e sugeriu que orássemos juntos.
Enquanto estávamos orando, ele descarregou sobre mim um bombardeio emocional, ao abrir o seu coração e confessar que havia se encontrado com Deus em seu escritório de uma forma sobrenatural. Nesse encontro, o Senhor pediu-lhe que confessasse a mim que estivera envolvido em um segundo caso de adultério pouco depois do primeiro e que escondera de mim todo este tempo.
Fiquei chocada. Quando ele me contou quem era a mulher, quase morri! Ela tinha se tornado uma de nossas melhores amigas, tinha ficado em nossa casa, tomado refeições conosco e até cuidado de nosso filhinho enquanto saíamos. Eu confiei nela. Como ela pôde me enganar desta forma?
Derramei-me em lágrimas mas, inesperadamente, Neil também. Há séculos não o via chorar. Nós choramos e oramos juntos e ele pediu-me para colocar as mãos sobre ele, para orar por ele, perdoar-lhe e repreender o espírito de luxúria que o oprimia. Deus tinha sido fiel em preparar-me para aquilo através da Sua Palavra, de forma que não me desmantelei em pedaços como há cinco anos atrás. Durante aquele tempo, o Espírito Santo havia colocado em meu interior paz e confiança.
O que realmente me ajudou foi a atitude de Neil. Eu vi não apenas um arrependimento, mas um quebrantamento que jamais vira antes. Dois dias depois, senti que era tempo de compartilhar a escritura que eu tinha guardado durante o tempo que Deus estivera trabalhando na vida de Neil. Tínhamos estado em um treinamento de final de semana do MMI e havíamos completado quatro grupos do curso de treze semanas. Isto nos dera a chance de trabalhar em muitos dos princípios da apostila e ajudou-me a não ficar arrasada com tal revelação como ocorreu na primeira vez.
Mesmo tendo sido preparada pelo Senhor, havia ainda uma ferida. Aquele mesmo sentimento conhecido e impróprio, de que eu fora incapaz de preencher as necessidades de meu marido, afloraram dentro de mim. A raiva, a falta de perdão e o ressentimento encheram minha mente. Eu sabia que deveria permitir que Deus começasse a curar as minhas feridas e o desapontamento imediatamente. Apesar da dor, eu estava aliviada pela verdade ter vindo à luz e por podermos enfrentar o futuro juntos.
A seguir:
NEIL:
Naquela noite, eu e Noline fizemos um acordo para o resto de nossas vidas: demos um ao outro o direito exclusivo para falar e perguntar qualquer coisa, a qualquer hora. A minha resolução era simples: - da mesma forma como eu fizera parte do problema, agora eu seria parte da solução. Eu nunca mais iria permitir que o diabo mentisse para mim e dissesse que minha mulher estaria me acusando toda vez que ela tocasse no assunto sobre tentação sexual ou pecado. Ela deveria ter muitas perguntas e nem sempre exigiria uma resposta. Algumas vezes ela precisaria apenas que eu a abraçasse, assegurando a continuidade do meu amor e que orasse por ela.
Não é suficiente confessar o erro para o cônjuge e então esperar que ele jamais comente o assunto. Com certeza, ele está sob o sangue de Jesus agora. Com certeza está nas profundezas do mar do esquecimento. O cônjuge ferido precisa de oportunidade para esclarecer o problema em seu próprio coração e mente. Se não, ele se tornará um prisioneiro da dor da confissão, não encontrando saída para o desapontamento, feridas e marcas infligidas. Esta vítima inocente é literalmente presa pela viva imaginação daquilo que ela acredita ter ocorrido entre o cônjuge e a outra pessoa. Isso não somente é desleal como injusto! Por exemplo, Noline precisava saber quem era a outra mulher para que futuramente ela não olhasse para todas as outras mulheres com suspeitas.
Não fizemos uma coisa. Embora tenhamos falado abertamente sobre quando e onde meu pecado acontecera, ambos concordamos que os detalhes do pecado nunca seriam discutidos. Eu estava envergonhado do que fizera e preferia esquecer-me dos detalhes sangrentos, ao mesmo tempo em que Noline não queria imagens vivas do meu pecado em sua mente. Então deixamos isso com Deus.
A cura leva tempo, mas Deus é o médico. Jesus disse que Ele veio para curar aqueles que estavam feridos (Lucas 4:18). As feridas, às vezes, levam muito tempo para serem curadas e a menor pancada na área machucada pode causar uma dor tão grande como a de um novo machucado. Da mesma forma, como ocorre no físico ocorre na alma: tanto as feridas físicas quanto as emocionais requerem tempo para uma cura apropriada.
A seguir:
Jesus não prometeu amnésia

domingo, 2 de agosto de 2009

Uma visita durante a noite

Foto: Diógenis Santos

Uma noite, pouco tempo depois, eu não conseguia dormir me agitando e virando na cama já um bom tempo depois de ter me deitado. Parecia que eu estivera lutando para dormir a noite toda. Às três horas da manhã, desisti de lutar contra a insônia e decidi descer e orar. Eu não pensei que receberia qualquer revelação de Deus. Na realidade, eu duvidava de que Ele quisesse conversar comigo, pois fazia um bom tempo que as minhas orações pareciam não passar do teto. Calculando que eu não tinha nada a perder, fui para o meu escritório, ajoelhei-me e comecei a orar.
Quase que imediatamente, o escritório inteiro começou a brilhar com a presença do Senhor. Ouvi o Senhor falar comigo, não em voz audível, mas em meu coração e em meu espírito:
- Você gosta da Minha presença?
Respondi:
- Sim Senhor, tenho esperado tanto por esse dia. Parece que estou esperando uma eternidade para ouvir a Sua voz.
Então o Senhor replicou:
- Vá e conte à sua esposa sobre o seu adultério.
Reagi em autodefesa:
- Não posso!
Então, tão rápida como surgira, a presença de Deus desapareceu. Desfalecido, clamei:
- Senhor, não posso viver como tenho vivido esses últimos cinco anos e meio!
Novamente a presença do Senhor apareceu e meu escritório brilhou. Novamente ouvi a voz do Senhor falando ao meu coração:
- Você gosta da Minha presença? E de novo respondi afirmativamente.
Então Ele disse pela segunda vez:
- Vá e conte à sua esposa sobre seu adultério.
Eu simplesmente não tinha forças para fazer tal coisa. Eu “lembrei” o Senhor sobre a reação da primeira vez que confessei – Ele podia ter se esquecido. A presença do Senhor surgiu e desapareceu por várias vezes enquanto Ele continuava a trazer-me para mais perto de Si pedindo sempre a mesma coisa.
Finalmente, às cinco horas me entreguei e me submeti ao Seu desejo, ou.quase. Eu disse ao Senhor que confessaria a Noline se Ele me desse um último sinal. Eu confessaria se Noline estivesse acordada com a luz de sua cabeceira acesa. Eu tinha certeza de que aquilo nunca iria acontecer, pois Noline não é do tipo que gosta de acordar cedo. Ela é como um submarino imerso no fundo do mar que leva uma eternidade para vir à tona. Eu tinha a certeza absoluta de que ela estaria dormindo às cinco horas, em um dia de inverno, enquanto lá fora tudo estava escuro. Não havia possibilidade dela estar acordada.
Apaguei a luz de meu escritório, subi as escadas que davam na cozinha e, de forma confiante, comecei a andar pelo corredor que terminava na porta do nosso quarto. De repente, meu coração disparou e minha boca secou, enquanto eu era inundado por uma onda de pavor. Eu não podia acreditar no que meus olhos viam! A luz do abajur de Noline estava acesa! Eu podia vê-la através da fresta debaixo da porta. Deus me passou a perna! pensei. Há poucos minutos, eu estivera tão confiante e agora minhas mãos estavam tremendo. No início eu tinha forças apenas para tocar na porta ao invés de abri-la. Toda a minha coragem havia simplesmente desaparecido.
Ela não poderá me apunhalar
Ao abrir a porta vagarosamente, ao invés de encontrá-la dormindo, Noline estava lendo sua Bíblia. Dei um sorrisinho amarelo, enquanto sentia toda a coragem desaparecendo, mas ao menos consegui dizer:
- Querida, você gostaria de sentar-se aqui no carpete e orar um pouco?
Pensei comigo mesmo, Se eu conseguir que ela fique aqui no chão, ela não conseguirá apunhalar-me com a tesoura. É interessante como conseguimos ter pensamentos tolos em períodos de crise!
Depois de alguns minutos em oração, eu disse para Noline:
- Tenho uma coisa que gostaria de compartilhar com você.
Então, pela primeira vez, em mais de cinco longos anos de angustia através de uma confissão arrependida, meu pecado escondido foi trazido à luz. Noline debulhou-se em lágrimas: mas desta vez, para minha surpresa eu estava chorando também. Eu não derramava lágrimas há anos. Conversamos e choramos durante um tempo que parecia séculos. Noline terminou a nossa conversa colocando suas mãos amorosas em mim e fazendo uma oração de perdão e cura.

A seguir:
As palavras de Noline em relação a esse epsódio:
NOLINE:

sábado, 1 de agosto de 2009

Por que você não confessa primeiro?


Foto: Diógenis Santos

De alguma forma eu senti que aquela era a minha chance de livrar-me da culpa que eu vinha suportando por tanto tempo e eu estava ansiando pela oportunidade de ficar sozinho com Noline para conversarmos. Pensei em testar primeiro perguntando para Noline:
- Você tem algum pecado escondido em sua vida que precisa confessar a mim e a Deus?
Na realidade, eu até desejava que ela respondesse sim. Se eu conseguisse encontrar um meio de demonstrar que eu não era o único pecador, talvez aquilo pudesse ajudar a justificar a minha culpa. Assim, se ela confessasse mesmo alguma coisa, seria muito, muito mais fácil para mim.
Para minha decepção, ela riu respondendo que não. E rapidamente passou a bola para mim quando falou:
- Mas, e você?
Eu pretendia confessar naquele momento, mas subitamente fiquei sem fala. Minha boca ficou seca e as palavras pareciam grudar em minha garganta.
- Não, respondi fracamente.
Agora, supostamente, estávamos em pé de igualdade já que cada um estava livre de seus pecados passados; mas, na realidade, meus pecados estavam apenas se amontoando.
Eu disse a mim mesmo que a mentira havia sido necessária devido às conseqüências e dores de minha primeira confissão de adultério. Eu não podia me esquecer da grande confusão que ela trouxera ao nosso casamento e relacionamento e quanto tempo demorou para superarmos. Eu simplesmente não podia fazer aquilo de novo. A verdade, no entanto, era que eu sabia o que precisava fazer, mas estava com muito medo de fazê-lo.
O fim de semana terminou sem nenhuma resolução para o meu dilema. Voltamos para casa e entrei em profunda agonia. Por várias vezes me recordei daqueles dias e pensei na oportunidade perdida de remediar as coisas. Várias vezes perguntei a mim mesmo a razão de não ter aberto o meu coração para aquelas pessoas maravilhosas que estavam lá para ajudar-nos.
- Pelo menos Mike e Marilyn me protegeriam contra a fúria mortal da Noline, dizia a mim mesmo, sarcasticamente.
Mas aquilo não era brincadeira. Eu realmente perdera uma grande oportunidade de libertar-me.
Quando já havíamos dado nosso quarto curso Casados para Sempre, crescia em mim um desejo muito forte de livrar-me de minha culpa. Pouco imaginava quão perto eu estava do maior encontro com Deus já experimentado desde o momento em que fora salvo e batizado no Espírito Santo.
A seguir:
Uma visita durante a noite

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Enxergando um raio de esperança

Filho adotivo
Foto: Diógenis Santos

Então, algo que eles disseram realmente chamou minha atenção:
- O seu relacionamento de uma-só-carne foi ferido no momento que seu cônjuge pecou e não no momento da confissão.
- Minha nossa! Murmurei em um suspiro.
Essa realidade bate com nossa experiência: CONFISSÃO E ORAÇÃO ERAM PARA A CURA E NÃO PARA A DESTRUIÇÃO. Esta era uma revelação para mim e o meu homem espiritual pulou dentro de meu ser. Escamas começaram a cair dos meus olhos naquele dia e, pela primeira vez em cinco anos, pude ver um raio de esperança. Durante as poucas horas seguintes, vimos milagres acontecendo entre muitos casais, enquanto o Espírito de Deus os libertava de pecados escondidos.
Um casal em particular, se destacou do resto dos casais. No dia seguinte, entraram no salão de reuniões e, de forma voluntária, o marido contou que na noite anterior a esposa havia confessado que a filha de dezoito anos não era dele. Ela admitira ao marido que a filha havia sido concebida enquanto ele estava no serviço militar.
Aquilo sim era um pesadelo de pastor! Isto está definitivamente fora do controle, pensei, mas a grande contradição de toda a minha teologia e anos de estudo era o fato de que ELE ESTAVA LIVRE E EU NÃO! Aquele homem nos disse que, por anos, ele não conseguia aproximar-se de sua filha. Agora que o poder do diabo estava quebrado, ele mal podia esperar para chegar em casa e reconstruir o relacionamento. Sua alegria era tremenda!
A seguir:
Por que você não confessa primeiro?

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Escolhidos para ensinar a outros

Foto: Diógenis Santos

Noline e eu começamos a ministrar o nosso primeiro grupo de Casados para Sempre duas semanas após o nosso curso de treinamento. Demos o curso em nossa casa e convidamos outros casais da igreja para participarem. Mesmo no ambiente de nossa própria casa e entre amigos, eu ainda não conseguia ser aberto e transparente sobre a minha vida passada. Porém, as coisas estavam para mudar, porque Deus estava pesando sobre mim e eu estava a ponto de ser alcançado por Ele.
Não muito tempo depois, Noline e eu fomos convidados para acompanhar Mike e Marilyn Philipps (os diretores fundadores do MMI) em um curso de treinamento de liderança fora do estado. Eles pediram-nos para darmos algumas lições do curso de treze semanas e eles dariam as outras. Quando chegamos na décima segunda lição, Estilo de vida, gastamos um bom tempo discutindo a passagem de Tiago, que aborda a necessidade de confessarmos uns aos outros os pecados cometidos contra o casamento:
Confessai, pois, os vossos pecados uns aos outros, e orai uns pelos outros, para serdes curados. Tiago 5:16
Os Philipps abordaram a questão de que é o pecado que prejudica um relacionamento e não a sua confissão. Eles mencionaram o erro de alguns ao descarregarem sérias confissões de pecado no cônjuge inocente, que então é levado a tal desequilíbrio emocional que nunca mais se recupera. Eu compreendia o que eles estavam falando porque eu havia feito exatamente a mesma coisa com Noline. Devido ao desastroso resultado daquela confissão eu me arrependi muito de ter falado a ela.
É por isso que a maioria dos pastores desencorajam a confissão de pecados entre os cônjuges com medo de que isso possa trazer danos ainda piores, ao invés de remediar a situação, causando, até mesmo, o divórcio. Assim, eles sempre aconselham que o cônjuge culpado confesse seus pecados ao pastor e, particularmente, ao Senhor, coloque-os sob o sangue de Cristo e continue a viver sua vida normalmente.
Essa era a forma como eu costumava pensar também, por isso eu montava um cenário deprimente em minha mente durante todo o tempo que os Phillipps ensinavam essa lição em particular.
A seguir:
Enxergando um raio de esperança

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Como poderia pôr tudo para fora com estranhos?

Uma luz no fim do túnel
Foto: Diógenis Santos

O MMI tinha preparado uma séria de treze lições cobrindo cada aspecto de ensino bíblico que poderia e deveria estar ligado ao casamento de uma forma prática. Eles dariam um curso periódico no qual convidariam líderes de várias igrejas e ensinariam os treze princípios básicos em dois dias, convidando-os a compartilhar com outros, nas casas e igrejas, o que haviam aprendido, dando-lhes um princípio a cada semana, durante treze semanas.
Em um dado momento do curso, o palestrante perguntou a cada casal o que achava de seu casamento. Quando chegou a minha vez, respondi sem a mínima vontade de dizer a verdade:
- Nosso casamento não podia estar melhor.
Que mentira!
Bom, o que eles esperavam? Afinal de contas, como poderia abrir o coração de forma tão exposta, na frente de tantas pessoas? Não, eles teriam que se satisfazerem com a estória do “casal perfeito”. Convenci-me de que tinha sido a maneira mais nobre de encarar o assunto; tendo como a única razão poupar a igreja de tamanha vergonha. Quando penso nisso tenho que admitir que Deus não parece ter tido problemas em revelar a verdade toda sobre Seus servos e profetas em Sua Palavra. Ele sempre falou sobre suas imperfeições, falhas, erros e defeitos. Aparentemente não é Deus que teme a exposição do pecado. Somos nós que tememos. De fato, pareceu-me melhor, naquele momento, mentir ao invés de dizer a verdade ou, se eu tivesse tido a opção, não ter dito nada.
No entanto, além desse aspecto particular do curso, eu estava gostando muito e no final da segunda noite, qualquer ceticismo ainda pendente sobre o curso havia desaparecido por completo. Eu estava convencido de termos encontrado respostas, não apenas para os nossos problemas, mas para muitos casais no Corpo de Cristo. Uma visão tremenda estava nascendo em nossos corações feridos naquele final de semana e mal podíamos esperar pela oportunidade de chegar em casa e começar a ensinar ao nosso próprio grupo tudo o que havíamos aprendido.
A seguir:
Escolhidos para ensinar a outros

terça-feira, 28 de julho de 2009

Eu vou, mas, sem essa de envoltório de plástico!

Foto: Diógenis Santos


Noline estava feliz por irmos. Eu não estava tão certo, mas fiquei dizendo para mim mesmo que iria e estaria pronto para ponderar sobre o ministério e julgar o conteúdo de sua “Palavra” ao mesmo tempo. Também estabeleci alguns limites invisíveis para minha própria proteção. Se eles ultrapassassem a linha, eu voltaria para casa. Disse para Noline:
Se eles falarem sobre esposas esperando à porta seus maridos voltarem do trabalho, embrulhadas apenas com envoltório de plástico, eu saio!
Imaginei que eu não iria sair perdendo ao participar. Eu poderia até aproveitar o material para algum sermão. Secretamente tinha me preparado para enfrentar longas horas de ensino chato, convencido de que eu não teria momentos agradáveis. Como eu estava errado!
Eu nunca ouvira um ensino sobre aliança como ouvi naquele encontro e o que disseram fazia muito sentido. Era também muito coerente com o ensino do Evangelho. Todas as lições eram parte de uma série e baseadas totalmente na Palavra de Deus. Em momento algum senti-me enfadonho, mas sim absorvido lição após lição enquanto a Palavra de Deus convencia o meu coração sobre o significado do casamento. No final da primeira noite, inclinei-me à Noline de forma que ninguém mais pudesse me ouvir e lhe disse que, no final, tudo o que ouvira naquela noite havia sido muito bom.
a seguir:
Como poderia pôr tudo para fora com estranhos?

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Capítulo 9 – Buscando ajuda

Foto: Diógenis Santos

Música e vídeo: http://letras.kboing.com.br/stenio-marcius/tapeceiro/

Tapeceiro (Stenio Március)

Tapeceiro
Grande artista
Vai fazendo o seu trabalho
Incansável, paciente
No seu tear

Tapeceiro
Não se engana
Sabe o fim desde o começo
Trança voltas, mil desvios
Sem perder o fio

Minha vida é obra de tapeçaria
É tecida de cores alegres e vivas
Que fazem contraste no meio das cores
Nubladas e tristes

Se você olha do avesso
Nem imagina o desfecho
No fim das contas
Tudo se explica
Tudo se encaixa
Tudo coopera pro meu bem

Quando se vê pelo lado certo
Muda-se logo a expressão do rosto
Obra de arte pra honra e glória
Do Tapeceiro

Quando se vê pelo lado certo
Todas as cores da minha vida
Dignificam a Jesus Cristo
O Tapeceiro.

Disse ainda o Senhor: Certamente vi a aflição do meu povo, que está no Egito, e ouvi o seu clamor por causa dos seus exatores. Conheço-lhe o sofrimento, por isso desci a fim de livrá-lo das mãos dos egípcios, e para fazê-lo subir daquela terra a uma terra boa e ampla, terra que mana leite e mel. O lugar do cananeu, do heteu, do amorreu, do ferezeu, do heveu e do jebuseu. Pois o clamor dos filhos de Israel chegou até mim, e também vejo a opressão com que os egípcios os estão oprimindo. Vem, agora, e eu te enviarei a Faraó, para que tires o meu povo, os filhos de Israel, do Egito. Êxodos 3: 7-10

NEIL:
- Como eu gostaria de simplesmente morrer! Se pelo menos eu não tivesse pecado, se pelo menos eu não tivesse colocado a minha família nessa bagunça toda!
A vida de nossa família tinha tomado um rumo errado e eu estava certo de que era tudo devido à minha iniqüidade. Como me odiei! E em meu desespero clamei a Deus.
Ele sempre ouve o clamor daqueles que verdadeiramente O ama e O buscam. Na hora podemos pensar o contrário. Algumas vezes parece que os céus são feitos de metal e que nenhuma de nossas orações penetram no trono de Deus. Mas mesmo quando sentimos isso devido às nossas culpas ou ao pecado habitando em nós, ou devido a ambos, Deus ainda escuta o clamor do coração contrito.
No momento de meu maior desespero, Deus ouviu o meu clamor. Ele viu que eu ansiava a libertação e que desejava servi-Lo com a pureza e a santidade que Ele exigia de mim. Ele sabia que sem uma visão nova, uma palavra de esperança, eu não seria capaz de encarar o futuro e encontrar o Seu alívio.
Sua resposta veio na forma de um curso de casais com a duração de um final de semana em nossa cidade. O Marriage Ministries International (MMI) estava promovendo um Treinamento de Liderança que, por engano, coube a Noline e a mim representarmos a liderança de nossa igreja no curso. Não fiquei totalmente entusiasmado ao dar uma olhada no prospecto. A verdade é que a maior parte dos homens nunca querem realmente participar dessas conferências de casais porque talvez sintam como eu sentia, que se já juraram o seu amor no dia do casamento, o que mais elas desejam deles? (Como eu louvo a Deus por ser mais sábio hoje). Os homens são conquistadores (nós dizemos) e uma vez que o casamento esteja seguro, nossas esposas deveriam saber que nós as amamos. (Soa tão simples para a objetiva mente masculina). Por outro lado, as esposas são criaturas que prezam relacionamentos. Elas farão de tudo para que seus maridos se envolvam da melhor forma possível. Como seria esse encontro?
A seguir:
Eu vou, mas, sem essa de envoltório de plástico!

domingo, 26 de julho de 2009

O vinho se acaba

Foto: Diógenis Santos

Vídeo: O tapeceiro–Stenio Marcius - http://letras.kboing.com.br/stenio-marcius/tapeceiro/

Naquele ponto, a minha luta pessoal interior, a luta com o outro pastor e o meu laço de alma com a mulher tornavam-se um terrível preço a ser pago em minha vida. Eu estava arrasado tanto emocional como espiritualmente e isso teve um efeito devastador em nosso casamento. A meu ver, havíamos chegado ao fim da linha. Nosso barco havia batido nas rochas e as águas estavam entrando rapidamente. Estávamos afundando e não havia nenhum socorro à vista.
Eu estava convencido de que o vinho da minha talha e a de Noline tinha acabado totalmente. Simplesmente não tínhamos o entusiasmo ou o amor do qual havíamos desfrutado no passado. Estávamos simplesmente levando a vida com os restos que havia sobrado de nosso relacionamento. Qualquer estímulo existente entre nós, havia desaparecido. Estávamos frios, secos e sem amor para dar. Nosso casamento transformara-se em um relacionamento vazio e continuávamos juntos apenas pela nossa obrigação e devido a responsabilidade para com as crianças.
E a culpa era inteiramente minha. A grande barreira de mentiras e enganos que eu construíra no passado continuava a nos dividir e não havia uma luz no fim do túnel nem qualquer tipo de brecha à nossa frente pela qual pudéssemos ver. É interessante como cada aspecto do seu caminhar com Deus é afetado quando você não está espiritualmente bem e quando há pecado escondido em sua vida.
A conseqüência daquele pecado escondido estava afetando diretamente o meu ministério juntamente com qualquer esperança para o meu futuro. Meus sermões estavam tão secos quanto minha vida e todos os relacionamentos de meu trabalho na liderança da igreja estavam também condenados ao fracasso. Eu era um homem vivendo sob o jugo da mentira. O que eu poderia fazer?
A seguir:

Capítulo 9 – Buscando ajuda

quarta-feira, 22 de julho de 2009

NEIL:

Serra da Mesa-GO
Foto: Diógenis Santos

Em meio àquela difícil luta, de alguma forma, tornei-me convencido de que tudo estava relacionado ao meu pecado. Não posso dizer a você quantas vezes clamei para que Deus me perdoasse, e eu cria que havia sido perdoado mas, de alguma forma, eu não conseguia enfrentar o meu passado. Havia ocasiões em que sentia a unção de Deus para lidar com as coisas; mas no momento em que eu estava pronto a agir, o inimigo vinha e me ameaçava com os acontecimentos do passado, dizendo:
- Você não pode prosperar porque escondeu o pecado em sua vida.

Naqueles momentos eu recuava na posição defensiva e recebia cada golpe dirigido a mim. Ao receber tais golpes, de alguma forma eu achava que estava fazendo a minha parte para remediar a situação, sofrendo algum tipo de penalidade pelo erro que fizera.
Esse círculo vicioso não tinha fim e fez-me sentir um dos homens mais miseráveis. Sabia que a penalidade pelo meu pecado estava sob o sangue, mas mesmo assim não tinha descanso, sentindo que o pecado ainda me tinha pelo pescoço. Eu estava tão desesperado que, a um dado momento, até considerei acabar com minha própria vida para que minha família se libertasse da carga e da punição que eu estava trazendo sobre ela e sobre o Corpo de Cristo. Aqueles foram os momentos mais críticos de minha vida.
Nesse período, algo muito importante foi conquistado através de minha total humilhação. Eu tinha tempo de sobra para a introspecção e estava convencido da minha incapacidade para proporcionar a minha própria cura. Deus teria que fazê-lo e Ele o faria – de Sua forma, no Seu tempo. Eu estava, então, sujeito a Ele para o quebrantamento final em minha vida.
Durante esse período escuro de minha vida, uma idéia totalmente louca veio à minha cabeça, uma idéia que tinha sua raiz na continuidade do laço de alma. Sabia que o pastor principal, com que eu estava em atrito, considerava muito “a mulher extraterrestre”; assim, numa tentativa desesperada por algum tipo de vitória sobre ele, decidi fazer uma visita a ela. Em meio ao meu pensamento distorcido, coloquei a idéia na cabeça de que se ela demonstrasse preferir mais a mim do que a ele, de alguma forma estranha, eu iria triunfar. Assim que ficamos sozinhos, peguei-a em meus braços e a abracei. Ela empurrou-me dizendo que não deveríamos nos envolver mais e aceitei a recusa. Não havia mais contato romântico entre nós.
Os laços de alma possuem uma estranha dicotomia. Por um lado, pode não haver um relacionamento físico acontecendo, como no meu caso com “a mulher extraterrestre.” Mas, por outro lado, a amarra emocional entre as duas partes pode ser virtualmente eterna e muito forte. Hoje, sei que o único caminho para quebrar qualquer laço de alma com o sexo oposto – seja ele emocional, espiritual ou físico – é ser totalmente transparente com aquele mais próximo de você (seu cônjuge).
Noline e eu, normalmente, não mantínhamos nada escondido entre nós e hoje se aparecer qualquer atração explícita ou não pelo sexo oposto, nós imediatamente confessamos um ao outro, colocamos as coisas para fora e oramos sobre o assunto. Desta forma, ajudamos um ao outro a evitar pecados da carne que possam ganhar um forte poder sobre um indivíduo.
A seguir:

O vinho se acaba

quarta-feira, 15 de julho de 2009

De fato, eu não entendia o que estava experimentando.


Foto: Diógenis Santos
Vídeo Deus cuida de mim - Kleber Lucas
http://www.youtube.com/watch?v=f1UIaWhQA2U

NOLINE:

Neil e eu estávamos tendo dificuldades com o pastor principal e sua esposa, justamente as pessoas que havíamos convidado para juntarem-se a nós no trabalho. Ironicamente, parecia que eles não nos queriam mais na igreja. Neil estava tomando tudo isso como algo muito pessoal, assim comprometi-me a orar por ele e a perguntar ao Senhor se era desejo d’Ele que nós saíssemos. Em meus momentos devocionais matutinos, abri minha Bíblia em Isaías 53. Sabia que esse capítulo tinha a palavra profética relativa à crucificação de Cristo e achei estranho o Senhor dirigir-me a esta passagem para uma palavra em relação a Neil.
Se você alguma vez já teve um versículo saltando para você enquanto lê a Bíblia entenderá o que aconteceu comigo naquela manhã. As palavras que pareciam ter criado vida para mim eram:
Todavia, ao Senhor agradou moê-lo, fazendo-o enfermar; quando der ele a sua alma como oferta pelo pecado, verá a sua posteridade e prolongará os seus dias; e a vontade do Senhor prosperará nas suas mãos. Isaías 53:10
Foi isso que o Senhor falou para mim;
- O que está acontecendo com o Neil é obra de minhas mãos. Não se preocupe e deixe-me completar o que comecei nele.
Quando vi minha família passando por aqueles tempos difíceis, instintivamente queria levantar-me e lutar por eles. Era isso que estava sentindo naquele tempo por Neil. Queria levantar-me e lutar pelos direitos dele para trabalhar em nossa igreja. Mas o Senhor estava pedindo-me para não me intrometer. Eu via quão abatido e deprimido ele se sentia dia após dia e eu não podia fazer nada para ajudá-lo. Eu tive que simplesmente afastar-me e assistir ao massacre de meu marido. Com a pressão crescente do pastor principal sob Neil, tudo o que eu podia fazer era orar por ele continuamente. Dou graças a Deus por Sua palavra profética ter me preparado para aquela hora.
Hoje, olhando para aquela situação, posso ver como o Senhor usou o pastor principal como uma ferramenta, para quebrar a dureza do coração de meu marido. Era como assistir alguém fazendo uma cirurgia no coração de Neil sem dar anestesia. Ele estava numa dor terrível e eu queria salvá-lo desta provação horrível. Mas não podia. A palavra do Senhor tanto me restringiu como me confortou durante o processo. Ele me assegurava de que Neil sairia desta “cirurgia do coração” vivo e mudado.

NEIL: