sábado, 29 de agosto de 2009

Capítulo 11 – Enchendo as talhas novamente


Foto: Diógenis Santos

Estavam ali seis talhas de pedra que os judeus usavam para as purificações, e cada uma levava duas ou três metretas. Jesus lhes disse: Enchei d’água as talhas. E eles as encheram totalmente. João 2:6-7
NEIL:
Da mesma forma como o jovem casal da Bíblia no casamento em Cana da Galiléia, Noline e eu começamos a andar o nosso caminho de discipulado e cura. Enquanto começávamos a realmente buscar a Deus para cura e direção, fomos guiados a essa passagem do Evangelho de João.
Deus nos disse para derramarmos a água da Palavra nas talhas vazias de nossas vidas. A água, em sua forma pura, é inodora, insípida e incolor; e era exatamente dessa forma que víamos a “água da Palavra” logo que começamos a ler e a orar. Mesmo assim continuamos a ler e a orar, mesmo que a Palavra parecesse vazia. No início, não víamos cousa alguma acontecendo, nada parecia estar mudando.
A talha de água da obediência

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

A terceira estação: Ele nos restaurará


Foto: Diógenis Santos

Na terceira fase de nossa cura, Noline e eu desfrutaríamos do propósito de Deus para as nossas vidas: Ele nos restauraria! Aquilo que o diabo tinha roubado através do meu pecado, rebelião e decepção, Deus agora podia dar-nos de volta. O diabo tinha que pagar-nos sete vezes mais por tudo que havia roubado. A restauração pode tanto significar termos a permissão de retornar ao trabalho e ao chamado que tínhamos antes do pecado ou não. A chave é render o nosso futuro a Ele e confiar n’Ele para a renovação que Ele deseja.
Tínhamos, então, um propósito e tínhamos uma direção. Naquele tempo, eu desejava aceitar qualquer coisa que o Senhor colocasse em nosso Caminho. Através do sustento de muitos amigos leais, amigos que investiram em nossas vidas pelos dois anos seguintes, nós não apenas sobrevivemos – começamos a crescer.
Isso acontece da noite para o dia?De forma alguma! Deus investiria em nós o tempo necessário para completar a Sua obra. Ele pretendia arraigar os princípios de um novo caminhar de forma tão profunda em mim que duraria a vida toda!
Se há algo em que creio é que, se você render-se a Deus – as circunstâncias ou erros não interessam – seu futuro será sempre melhor do que aquilo que você teve antes de render-se a Ele. Deus estará cem por cento com você! Quando você perder o “Plano A” de Deus para sua vida, você não terá que contentar-se com o plano B, C, ou D. Não, Deus simplesmente cria um novo “plano A” – se você continuar a fazer as coisas da forma d’Ele e não da sua. Essas três estações de cura têm um propósito maior: restaurar-nos para a Sua presença. Ele quer que vivamos em Sua presença e desfrutemos d’Ele o máximo.
Nada é mais devastador para um cristão que já tenha conhecido a presença de Deus, do que sentir-se impossibilitado de voltar ao trono da graça por causa do pecado. Se eu pudesse gravar algo em seu coração seria isso: Deus ama você e Ele sente falta da sua companhia. Seus pecados separaram você d’Ele, mas Ele deseja trazê-lo (a) de volta através do Seu processo de restauração, pela Sua Palavra. Responda agora, hoje. Retorne ao Senhor e à Sua presença.
Nós experimentamos a humilhação esmagadora, mas também experimentamos a reabilitação carinhosa.
Capítulo 11 – Enchendo as talhas novamente

terça-feira, 25 de agosto de 2009

A segunda estação: Ele nos ressuscitará


Foto: Diógenis Santos

Uma vez tendo finalmente retornado ao Senhor através do poder do Espírito Santo, Ele nos ressuscitará. Isso ocorre quando “a primavera chega com toda força e o inverno se vai". Em minha própria vida, novos botões de vida e brotos de flores logo floresceriam de galhos há muito tempo considerados mortos e sem vida. O vigor de uma nova vegetação surgia da terra tratada e trabalhada de nossos corações. Melhor do que todas as alegrias e prazeres era começarmos a sentir a doce fragrância do Espírito do Senhor outra vez!
Será que Lázaro, que morreu, pode viver novamente? Poderá a vara de Arão brotar novamente as amêndoas? Certamente! Jesus disse: Eu sou a ressurreição e a vida (João 11:25). Sabíamos que viveríamos de novo, sabíamos que isso se aplicava não apenas às nossas vidas pessoais, mas ao nosso casamento também. Sempre que permitirmos, o Senhor renovará o louvor em nossa alma, um novo amor pela Palavra e um novo amor e afeição pelo nosso cônjuge e pelo Seu povo. Ele estava mesmo colocando um novo amor em meu coração, haja vista “as ferramentas” que Ele usara para ajudar na minha queda.
A terceira estação: Ele nos restaurará

domingo, 23 de agosto de 2009

A primeira estação: retornar

Taguatinga-DF
Foto: Diógenis Santos

Vejo nesta passagem três estações envolvidas no processo de restauração. Como Noline e eu começássemos a passar por estas três estações juntos, através da sábia direção de Mike e Marilyn, nossas suspeitas foram confirmadas. A primeira estação do arrependimento, quando deveríamos voltar para o Senhor foi a mais difícil. Tivemos que suportar a tempestade, para que o verdadeiro remorso, que leva ao arrependimento genuíno, fosse gerado. Todos temos duas escolhas quando encaramos a disciplina ou a poda do Senhor. Podemos andar pelo caminho da obediência e responder rapidamente ao Espírito Santo em sua primeira chamada, ou podemos fazer coisas da forma mais difícil- como eu sempre fizera. Os corações rendidos são disciplinados, mas os corações endurecidos devem ser quebrados para que haja libertação. Como ovelhas veradadeiras do Seu pasto devemos chegar ao arrependimento. Embora eu tivesse gasto a maior parte da minha vida adulta procurando por um “outro caminho”, eu tinha finalmente percebido que Deus realiza isso apenas de uma forma – a forma que ele estabeleceu na sua Palavra.

A segunda estação: Ele nos ressuscitará

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Discipulado


Foto: Diógenis Santos

Aquele primeiro ano tornar-se-se-ia a “escola de discipulado” que nunca tivéramos no passado. Foi dirigida por pessoas que realmente nos amavam e desejavam perseverar conosco mesmo que eu os levasse ao seu limite. Eram diferentes de quais quer pessoas com quem eu me relacionara, e levou tempo para eu confiar neles, inteiramente, em certas áreas.
Uma dessas áreas era o meu relacionamento com imagens autoritárias. No passado, eu ficava com um grande nó no estômago cada vez que era chamado para uma visita ao escritório do pastor principal. Eu não tinha idéia do que aconteceria e isso me desgastava e finalmente resultava em úlcera. As primeiras vezes que ouvi a voz do Mike gritar em meu escritório:
-Neil, venha aqui ao meu escritório.
Sentia o nó bem familiar apertar dentro de mim.
Relutantemente, eu deixava o que estava fazendo e ia para o escritório dele, temendo o pior. Quando eu dava o primeiro passo dentro da sala dele, ele dizia algo como por exemplo:
-Sente-se. O que você acha que nós poderíamos fazer aqui nessa cidade?
Eu não podia acreditar que Mike estava solicitando minhas idéias ao invés de cair em cima de mim por alguma coisa errada que eu tivesse feito. Que mudança bem-vinda! Eu descobriria que essa atitude era típica de Mike Phillipps. Vagarosamente comecei a confiar nele. Ele e Marilyn nos amavam e isso era demonstrado nas horas boas e também nas repreensões, correções e instruções. Tenho sempre admirado seus esforços em serem francos e transparentes no jeito de lidar com os outros. O lema deles é “Aquilo que você vê é a realidade”. Não havia portas secretas com eles e eles não aceitariam isso de nossa parte.
Os relacionamentos genuínos são formados e moldados no fogo, na bigorna da vida. Assim é com o caráter divino, a fibra que Deus usa para construir o Seu Reino. Infelizmente, embora eu possuísse muitos dons que me mantinham na ativa, eu tinha pouca fibra ou caráter divino. Quando estava na mira do revólver, eu “justificava” constantemente as minhas ações ao invés de assumir a responsabilidade. Eu também deixava de lado os meus verdadeiros sentimentos quando era confrontado sobre as pessoas que haviam me ferido. Por exemplo, podia dizer a Mike e Marilyn, depois que alguma questão tivesse tocado num ponto dolorido:
-Bom, vocês deviam ter visto o que eles fizeram!
No entanto, cada vez, os Phillipps traziam-me de volta novamente para o ponto crucial da questão: Deus estava lidando com o meu pecado – e não com os pecados do pastor principal, da mulher do pastor ou de outros líderes da igreja. Eu agradecia profundamente essa disciplina necessária. Como nos mostram as Escrituras:
Pois eles nos corrigiam por pouco tempo, segundo melhor lhes parecia; Deus, porém, nos disciplina para aproveitamento, a fim de sermos participantes da sua santidade. Toda disciplina com efeito, no momento não parecer ser motivo de alegria, mas de tristeza; ao depois, entretanto, produz fruto pacífico aos que têm sido por ela exercitados, fruto de justiça. Heb. 12: 10-12
Da mesma forma, a disciplina é dura e o processo é doloroso, mas a conseqüência disso tudo é paz e justiça. Eu ansiava profundamente por ambas, embora pensasse, às vezes, que nunca sobreviveria ao processo. As verdadeiras questões da minha vida estavam na bigorna não por escolha própria. Minha situação pode ser descrita melhor através das palavras de Jesus dirigida aos seus discípulos no Jardim do Getsêmani: “o espírito está pronto, mas a carne é fraca” Mat. 26:41.
A mão de Deus havia me colocado em Sua fornalha ardente da purificação. Eu deveria permitir que o Seu fogo queimasse minhas impurezas e que o seu martelo esmagasse cada imperfeição que não estivesse de acordo com a Sua Palavra e com o Seu destino para minha vida. Sabia que Ele não abrandaria até que eu pudesse finalmente deixar o passado de uma vez por todas. Ele seria persistente até formar e cravar a imagem de Seu filho em meu caráter. Estava deteminado a colocar amorosamente os laços de amor real e o caráter divino em mim para manter-me forte e seguro em minha aliança de casamento com Noline. Foi através desse processo doloroso e lento que Deus começou a operar em mim a justiça de Seu filho.
O profeta Oséias revelou o triplo plano de Deus para trazer Seus filhos errantes de volta à sua herança n’Ele:
Vinde, e tornemos para o Senhor, porque ele nos despedaçou, e nos sarará: fez a ferida e a ligará. Depois de dois dias nos revigorará; ao terceiro dia nos levantará, e viveremos diante dele.
A primeira estação: retornar

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Mudança para Colorado


Foto: Diógenis Santos

Os Phillipps concordaram em supervisionar o ano de disciplina exigido de nós pelos líderes de nossa igreja. Isso significava que teríamos que vender nossa casa e nos mudar para o Colorado. Pouco depois de Noline e eu termos “tirado licença” do ministério em 1987, fomos par ao Colorado juntarmo-nos a eles para uma cura e uma ministração pessoal desesperadamente necessária.
Não havia garantias financeiras e eu teria que procurar um emprego tão logo chegássemos em Denver. Dessa forma, quando chegamos, ajudamos a reformar a parte debaixo da casa vizinha dos Phillipps. Quando acabamos, o andar de cima tornou-se a nossa casa e a parte de baixo o escritório do ministério pelos próximos dois anos. Então , para que não tivéssemos que procurar um serviço secular, os Phillipps nos integraram à sua equipe de escritório. Lá aprendemos muitas atividades novas e evoluímos de nossa total ignorância quanto à informática para o desenvolvimento da habilidade de trabalhar com dados e informações. Se a minha reeducação tivesse sido tão fácil quanto isso...
Simpatia versus empatia
Fui para o Colorado, achando que os Phillipps seriam amigos simpáticos que estariam ao meu lado, em minha situação de angústia miserável. A atitude deles foi muito diferente da que eu imaginara. Descobri que, embora eles nos amassem verdadeiramente, seu ponto de vista sobre nossa cura era diferente do meu. Tudo que eu tentava “justificar” ou “descartar” na presença dos Phillipps era contestado e era disso exatamente que eu precisava. Nunca conhecera alguém que gastasse tempo para contestar tudo que eu fizesse. Considerei o ensino deles como a diferença entre empatia e simpatia.
Qual é a diferença entre as duas? Se você anda pela sua cozinha depois de uma festa com os convidados e vê toda a louça suja amontoada na pia, a simpatia dirá:
-ah, querida, que duro você ter tanta louça para lavar! Ficarei aqui perto fazendo companhia enquanto você a lava, sinto muito por você não ter uma lava-louça.
A empatia, ao contrário dirá:
- Vamos fazer uma coisa: você lava e eu enxugo. Vamos acabar num instante.
Empatia como palavra significa colocar-se no lugar do outro, sentir o que o outro está sentindo; e, como um conceito espiritual é tornar-se parte da solução do problema do amigo.
A seguir:
Discipulado

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

NEIL: O Oleiro Mestre (continuação)


Foto apenas ilustrativa
Foto: Diógenis Santos
NEIL:
Nos dias que se seguiram tive a oportunidade de examinar minha vida passada com detalhes. Uma das coisas que parecia ajudar a explicar a razão pela qual eu tinha caído pela segunda vez era que eu não tinha realmente me arrependido do meu pecado, apenas senti por ter sido desmascarado. O apóstolo Paulo escreveu para os coríntios:
Porquanto, ainda que vos tenha contristado com a carta, não me arrependo; embora já me tenha arrependido (vejo que aquela carta vos contristou por breve tempo),agora, me alegro não porque fostes contristados, mas porque fostes contristados para arrependimento; pois fostes contristados segundo Deus, para que, de nossa parte, nenhum dano sofrêsseis. Porque a tristeza segundo Deus produz arrependimento para a salvação, que a ninguém traz pesar; mas a tristeza do mundo produz morte. 2 Cor. 7:8-10
Como se fossem inúmeros ofensores diante de mim, tentei usar o remorso ou o arrependimento para me libertar do pecado escondido. Eu realmente sentia muito por ter sido pego. Eu sentia pelo adultério ter acontecido. Eu estava arrependido por ter machucado tantas pessoas ao longo do caminho, mas eu tinha que aprender pelo caminho mais difícil que o remorso não é o suficiente porque ele não traz a liberdade! O arrependimento deve ser verdadeiro. Quando o arrependimento é ignorado, você é deixado num estado de esquecimento, isento do poder para sair de sua prisão. Por isso, é sempre conduzido ao pecado de novo.
As Escrituras declaram:
Arrependei-vos, pois, e convertei-vos para serem cancelados os vossos pecados, a fim de que, da presença do Senhor, venham tempos de refrigério... Atos 3:19-20
De repente, comecei a perceber que aquilo através da qual Deus estava pedindo para eu andar no processo de “quebra” eram as barras de ferro da minha própria prisão! Não era de se admirar que eu não conseguira nenhuma “brecha” com o Senhor. Minha própria recusa em arrepender-me não me levou a nada exceto a tornar-me um prisioneiro esquecido em uma cela. De alguma forma eu sabia que, quando eu fizesse as coisas na maneira de Deus, mesmo sendo o caminho mais difícil pelo qual eu andaria, finalmente estaria livre! Eu não tinha percebido ainda que o Seu plano envolvia o processo de moer e quebrar – trazer-me ao arrependimento verdadeiro. Só então eu poderia começar a andar fora da jaula construída por mim mesmo.
Por anos eu preguei incontáveis sermões sobre o arrependimento genuíno, mas até aquele momento esse assunto não tinha ultrapassado o meu entendimento racional. Agora eu estava aprendendo “de primeira mão” que o arrependimento envolve mais do que simplesmente admitir o erro. O arrependimento de Deus requer que nos aborreçamos do pecado e uma virada de 180 graus em direção contrária ao pecado. Deus ordenava, então que eu vivesse um estilo de vida que envolvesse o verdadeiro arrependimento.
Eu estava admirado com a profunda graça de Deus. Embora tivesse tentado evitá-Lo e até mesmo mentido para o Seu povo, encontrava-me agora andando por um caminho que me levava à vida após um resgate liderado pelo próprio Deus! Ele havia escolhido as pessoas para trabalharem a Sua salvação nos lugares mais profundos de minha vida. Ele tinha ouvido minhas súplicas desesperadas por piedade e tinha me resgatado de minhas próprias fraquezas. Que Deus maravilhoso nós servimos! Dou a Ele toda glória e louvor.
A seguir:
Mudança para Colorado