sábado, 29 de agosto de 2009

A talha de água da obediência

Trizidela do Vale-MA
Foto: Diógenis Santos
A talha de água da obediência
Apesar da falta de resultados aparente, sentíamos que era importante continuarmos obedecendo. Jesus disse aos servos, no casamento em Cana da Galiléia, o que Ele queria que eles fizessem, e eles obedeceram – embora devam ter se sentido um tanto tolos ao derramar a água naquelas enormes talhas.
Deus se encarrega do sobrenatural, mas espera que nós façamos a nossa parte no natural. Muitas pessoas no Corpo de Cristo estão condicionadas a ir à frente e receber imposição de mãos, esperando por alguma manifestação de uma cura miraculosa. Deus realmente cura, mas Ele também ordena que você faça alguma coisa. Ele espera que cada um de nós seja obediente àquilo que Ele nos mostrar. Assim, cada indivíduo precisa ouvir a voz de Deus de forma pessoal e saber o que Deus quer dele (a). Para Noline e eu, era submetermo-nos a Mike e Marilyn Phillipps e à direção que eles nos dariam. E devíamos retornar ao devocional diário lendo a Bíblia e orando juntos. Francamente era um alívio ser capaz de fazer “alguma coisa” porque, naquele ponto de nossas vidas, estávamos nos sentindo bem inúteis.
Mais do que inúteis, às vezes eu achava que estávamos retrocedendo. Comecei a sentir que Mike estava pegando no meu pé devido a pequenas infrações ou pela forma como eu percebia as coisas e eu odiava isso. Eu torcia o nariz a cada confronto de minhas atitudes e pelo fato de constantemente culpar as outras pessoas. Eu me ofendia com a constante prestação de contas que Deus estava exigindo de mim.
A formação do caráter requer uma rendição de tudo o que a carne valoriza e protege, e eu tinha anos de experiência para superar. Além disso, a Palavra de Deus não parecia ser aplicável à minha vida diária, não parecia responder aos meus problemas imediatos. Ao olharmos para trás, no entanto, fica claro que Deus estava trabalhando. Ele sabia daquilo que nós mais precisávamos naquelas horas, e nossas “talhas vazias” estavam sendo cheias novamente, de forma vagarosa, porém segura.
Mais do que nós desejamos para nós mesmos, Deus deseja que as pessoas que estejam machucadas ou quebradas sejam curadas. A verdade é que nós não sabemos como começar a encher as nossas talhas vazias por nós mesmos. Viver sem a cura de Deus, é como viver em uma casa com buracos na parede, por onde se penetra todos os tipos de insetos e se é exposto às chuvas e ao vento. A primeira coisa a se fazer, antes que alguém se mude é consertar o buraco. Você não pode começar comprando tapetes, cortinas, papel de parede e quadros se não tiver solucionado o problema real. Se você não consertar o buraco da parede, então todas as outras coisas que comprar para decorar a casa vão ser desgastadas e destruídas.
Muitas pessoas que aprendem sobre a construção de um relacionamento cometem o mesmo tipo de erro: tentam embelezar seus relacionamentos, consertando ou adornando elegantemente objetos superficiais, sem primeiro consertar as brechas. Não interessa quantas vezes elas tentam embelezar um relacionamento quebrado. Tudo sempre se estraga porque as brechas mais importantes foram ignoradas ou olhadas por cima. É preciso deixar o Senhor consertar a ferida-brecha primeiro, para que então todo o resto dos detalhes sejam decididos. Ele usará as pessoas e as circunstâncias mais diferentes para fazer isso. A Bíblia diz: “O Senhor firma os passos do homem bom” (Salmos 37:23). Deus tem em mente lugares e pessoas específicas para você. Deixe Deus ser Deus e renda-se totalmente ao Seu trabalho em seu casamento e família.
A talha de água da Palavra

Capítulo 11 – Enchendo as talhas novamente


Foto: Diógenis Santos

Estavam ali seis talhas de pedra que os judeus usavam para as purificações, e cada uma levava duas ou três metretas. Jesus lhes disse: Enchei d’água as talhas. E eles as encheram totalmente. João 2:6-7
NEIL:
Da mesma forma como o jovem casal da Bíblia no casamento em Cana da Galiléia, Noline e eu começamos a andar o nosso caminho de discipulado e cura. Enquanto começávamos a realmente buscar a Deus para cura e direção, fomos guiados a essa passagem do Evangelho de João.
Deus nos disse para derramarmos a água da Palavra nas talhas vazias de nossas vidas. A água, em sua forma pura, é inodora, insípida e incolor; e era exatamente dessa forma que víamos a “água da Palavra” logo que começamos a ler e a orar. Mesmo assim continuamos a ler e a orar, mesmo que a Palavra parecesse vazia. No início, não víamos cousa alguma acontecendo, nada parecia estar mudando.
A talha de água da obediência

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

A terceira estação: Ele nos restaurará


Foto: Diógenis Santos

Na terceira fase de nossa cura, Noline e eu desfrutaríamos do propósito de Deus para as nossas vidas: Ele nos restauraria! Aquilo que o diabo tinha roubado através do meu pecado, rebelião e decepção, Deus agora podia dar-nos de volta. O diabo tinha que pagar-nos sete vezes mais por tudo que havia roubado. A restauração pode tanto significar termos a permissão de retornar ao trabalho e ao chamado que tínhamos antes do pecado ou não. A chave é render o nosso futuro a Ele e confiar n’Ele para a renovação que Ele deseja.
Tínhamos, então, um propósito e tínhamos uma direção. Naquele tempo, eu desejava aceitar qualquer coisa que o Senhor colocasse em nosso Caminho. Através do sustento de muitos amigos leais, amigos que investiram em nossas vidas pelos dois anos seguintes, nós não apenas sobrevivemos – começamos a crescer.
Isso acontece da noite para o dia?De forma alguma! Deus investiria em nós o tempo necessário para completar a Sua obra. Ele pretendia arraigar os princípios de um novo caminhar de forma tão profunda em mim que duraria a vida toda!
Se há algo em que creio é que, se você render-se a Deus – as circunstâncias ou erros não interessam – seu futuro será sempre melhor do que aquilo que você teve antes de render-se a Ele. Deus estará cem por cento com você! Quando você perder o “Plano A” de Deus para sua vida, você não terá que contentar-se com o plano B, C, ou D. Não, Deus simplesmente cria um novo “plano A” – se você continuar a fazer as coisas da forma d’Ele e não da sua. Essas três estações de cura têm um propósito maior: restaurar-nos para a Sua presença. Ele quer que vivamos em Sua presença e desfrutemos d’Ele o máximo.
Nada é mais devastador para um cristão que já tenha conhecido a presença de Deus, do que sentir-se impossibilitado de voltar ao trono da graça por causa do pecado. Se eu pudesse gravar algo em seu coração seria isso: Deus ama você e Ele sente falta da sua companhia. Seus pecados separaram você d’Ele, mas Ele deseja trazê-lo (a) de volta através do Seu processo de restauração, pela Sua Palavra. Responda agora, hoje. Retorne ao Senhor e à Sua presença.
Nós experimentamos a humilhação esmagadora, mas também experimentamos a reabilitação carinhosa.
Capítulo 11 – Enchendo as talhas novamente

terça-feira, 25 de agosto de 2009

A segunda estação: Ele nos ressuscitará


Foto: Diógenis Santos

Uma vez tendo finalmente retornado ao Senhor através do poder do Espírito Santo, Ele nos ressuscitará. Isso ocorre quando “a primavera chega com toda força e o inverno se vai". Em minha própria vida, novos botões de vida e brotos de flores logo floresceriam de galhos há muito tempo considerados mortos e sem vida. O vigor de uma nova vegetação surgia da terra tratada e trabalhada de nossos corações. Melhor do que todas as alegrias e prazeres era começarmos a sentir a doce fragrância do Espírito do Senhor outra vez!
Será que Lázaro, que morreu, pode viver novamente? Poderá a vara de Arão brotar novamente as amêndoas? Certamente! Jesus disse: Eu sou a ressurreição e a vida (João 11:25). Sabíamos que viveríamos de novo, sabíamos que isso se aplicava não apenas às nossas vidas pessoais, mas ao nosso casamento também. Sempre que permitirmos, o Senhor renovará o louvor em nossa alma, um novo amor pela Palavra e um novo amor e afeição pelo nosso cônjuge e pelo Seu povo. Ele estava mesmo colocando um novo amor em meu coração, haja vista “as ferramentas” que Ele usara para ajudar na minha queda.
A terceira estação: Ele nos restaurará

domingo, 23 de agosto de 2009

A primeira estação: retornar

Taguatinga-DF
Foto: Diógenis Santos

Vejo nesta passagem três estações envolvidas no processo de restauração. Como Noline e eu começássemos a passar por estas três estações juntos, através da sábia direção de Mike e Marilyn, nossas suspeitas foram confirmadas. A primeira estação do arrependimento, quando deveríamos voltar para o Senhor foi a mais difícil. Tivemos que suportar a tempestade, para que o verdadeiro remorso, que leva ao arrependimento genuíno, fosse gerado. Todos temos duas escolhas quando encaramos a disciplina ou a poda do Senhor. Podemos andar pelo caminho da obediência e responder rapidamente ao Espírito Santo em sua primeira chamada, ou podemos fazer coisas da forma mais difícil- como eu sempre fizera. Os corações rendidos são disciplinados, mas os corações endurecidos devem ser quebrados para que haja libertação. Como ovelhas veradadeiras do Seu pasto devemos chegar ao arrependimento. Embora eu tivesse gasto a maior parte da minha vida adulta procurando por um “outro caminho”, eu tinha finalmente percebido que Deus realiza isso apenas de uma forma – a forma que ele estabeleceu na sua Palavra.

A segunda estação: Ele nos ressuscitará

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Discipulado


Foto: Diógenis Santos

Aquele primeiro ano tornar-se-se-ia a “escola de discipulado” que nunca tivéramos no passado. Foi dirigida por pessoas que realmente nos amavam e desejavam perseverar conosco mesmo que eu os levasse ao seu limite. Eram diferentes de quais quer pessoas com quem eu me relacionara, e levou tempo para eu confiar neles, inteiramente, em certas áreas.
Uma dessas áreas era o meu relacionamento com imagens autoritárias. No passado, eu ficava com um grande nó no estômago cada vez que era chamado para uma visita ao escritório do pastor principal. Eu não tinha idéia do que aconteceria e isso me desgastava e finalmente resultava em úlcera. As primeiras vezes que ouvi a voz do Mike gritar em meu escritório:
-Neil, venha aqui ao meu escritório.
Sentia o nó bem familiar apertar dentro de mim.
Relutantemente, eu deixava o que estava fazendo e ia para o escritório dele, temendo o pior. Quando eu dava o primeiro passo dentro da sala dele, ele dizia algo como por exemplo:
-Sente-se. O que você acha que nós poderíamos fazer aqui nessa cidade?
Eu não podia acreditar que Mike estava solicitando minhas idéias ao invés de cair em cima de mim por alguma coisa errada que eu tivesse feito. Que mudança bem-vinda! Eu descobriria que essa atitude era típica de Mike Phillipps. Vagarosamente comecei a confiar nele. Ele e Marilyn nos amavam e isso era demonstrado nas horas boas e também nas repreensões, correções e instruções. Tenho sempre admirado seus esforços em serem francos e transparentes no jeito de lidar com os outros. O lema deles é “Aquilo que você vê é a realidade”. Não havia portas secretas com eles e eles não aceitariam isso de nossa parte.
Os relacionamentos genuínos são formados e moldados no fogo, na bigorna da vida. Assim é com o caráter divino, a fibra que Deus usa para construir o Seu Reino. Infelizmente, embora eu possuísse muitos dons que me mantinham na ativa, eu tinha pouca fibra ou caráter divino. Quando estava na mira do revólver, eu “justificava” constantemente as minhas ações ao invés de assumir a responsabilidade. Eu também deixava de lado os meus verdadeiros sentimentos quando era confrontado sobre as pessoas que haviam me ferido. Por exemplo, podia dizer a Mike e Marilyn, depois que alguma questão tivesse tocado num ponto dolorido:
-Bom, vocês deviam ter visto o que eles fizeram!
No entanto, cada vez, os Phillipps traziam-me de volta novamente para o ponto crucial da questão: Deus estava lidando com o meu pecado – e não com os pecados do pastor principal, da mulher do pastor ou de outros líderes da igreja. Eu agradecia profundamente essa disciplina necessária. Como nos mostram as Escrituras:
Pois eles nos corrigiam por pouco tempo, segundo melhor lhes parecia; Deus, porém, nos disciplina para aproveitamento, a fim de sermos participantes da sua santidade. Toda disciplina com efeito, no momento não parecer ser motivo de alegria, mas de tristeza; ao depois, entretanto, produz fruto pacífico aos que têm sido por ela exercitados, fruto de justiça. Heb. 12: 10-12
Da mesma forma, a disciplina é dura e o processo é doloroso, mas a conseqüência disso tudo é paz e justiça. Eu ansiava profundamente por ambas, embora pensasse, às vezes, que nunca sobreviveria ao processo. As verdadeiras questões da minha vida estavam na bigorna não por escolha própria. Minha situação pode ser descrita melhor através das palavras de Jesus dirigida aos seus discípulos no Jardim do Getsêmani: “o espírito está pronto, mas a carne é fraca” Mat. 26:41.
A mão de Deus havia me colocado em Sua fornalha ardente da purificação. Eu deveria permitir que o Seu fogo queimasse minhas impurezas e que o seu martelo esmagasse cada imperfeição que não estivesse de acordo com a Sua Palavra e com o Seu destino para minha vida. Sabia que Ele não abrandaria até que eu pudesse finalmente deixar o passado de uma vez por todas. Ele seria persistente até formar e cravar a imagem de Seu filho em meu caráter. Estava deteminado a colocar amorosamente os laços de amor real e o caráter divino em mim para manter-me forte e seguro em minha aliança de casamento com Noline. Foi através desse processo doloroso e lento que Deus começou a operar em mim a justiça de Seu filho.
O profeta Oséias revelou o triplo plano de Deus para trazer Seus filhos errantes de volta à sua herança n’Ele:
Vinde, e tornemos para o Senhor, porque ele nos despedaçou, e nos sarará: fez a ferida e a ligará. Depois de dois dias nos revigorará; ao terceiro dia nos levantará, e viveremos diante dele.
A primeira estação: retornar

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Mudança para Colorado


Foto: Diógenis Santos

Os Phillipps concordaram em supervisionar o ano de disciplina exigido de nós pelos líderes de nossa igreja. Isso significava que teríamos que vender nossa casa e nos mudar para o Colorado. Pouco depois de Noline e eu termos “tirado licença” do ministério em 1987, fomos par ao Colorado juntarmo-nos a eles para uma cura e uma ministração pessoal desesperadamente necessária.
Não havia garantias financeiras e eu teria que procurar um emprego tão logo chegássemos em Denver. Dessa forma, quando chegamos, ajudamos a reformar a parte debaixo da casa vizinha dos Phillipps. Quando acabamos, o andar de cima tornou-se a nossa casa e a parte de baixo o escritório do ministério pelos próximos dois anos. Então , para que não tivéssemos que procurar um serviço secular, os Phillipps nos integraram à sua equipe de escritório. Lá aprendemos muitas atividades novas e evoluímos de nossa total ignorância quanto à informática para o desenvolvimento da habilidade de trabalhar com dados e informações. Se a minha reeducação tivesse sido tão fácil quanto isso...
Simpatia versus empatia
Fui para o Colorado, achando que os Phillipps seriam amigos simpáticos que estariam ao meu lado, em minha situação de angústia miserável. A atitude deles foi muito diferente da que eu imaginara. Descobri que, embora eles nos amassem verdadeiramente, seu ponto de vista sobre nossa cura era diferente do meu. Tudo que eu tentava “justificar” ou “descartar” na presença dos Phillipps era contestado e era disso exatamente que eu precisava. Nunca conhecera alguém que gastasse tempo para contestar tudo que eu fizesse. Considerei o ensino deles como a diferença entre empatia e simpatia.
Qual é a diferença entre as duas? Se você anda pela sua cozinha depois de uma festa com os convidados e vê toda a louça suja amontoada na pia, a simpatia dirá:
-ah, querida, que duro você ter tanta louça para lavar! Ficarei aqui perto fazendo companhia enquanto você a lava, sinto muito por você não ter uma lava-louça.
A empatia, ao contrário dirá:
- Vamos fazer uma coisa: você lava e eu enxugo. Vamos acabar num instante.
Empatia como palavra significa colocar-se no lugar do outro, sentir o que o outro está sentindo; e, como um conceito espiritual é tornar-se parte da solução do problema do amigo.
A seguir:
Discipulado