domingo, 16 de agosto de 2009

NOLINE: O Oleiro Mestre

/>Vaso novo
Foto: Diógenis Santos

Depois daquele culto de domingo a “outra mulher” confrontou Neil e ele confirmou que havia me contado sobre o caso. Ela foi imediatamente ao pastor principal e naquela quinta-feira Neil e eu fomos chamados a uma reunião de presbíteros para sermos confrontados sobre tais alegações. Eu estava contente por ter revelado a Neil a palavra que o Senhor tinha dado para ele através de mim. Eu disse a ele:
- Neil, isto é obra do Senhor. Não se defenda. Simplesmente permaneça em silêncio durante todo o processo.
Agimos dessa forma, embora fosse uma experiência humilhante e vergonhosa. Todos olhavam para meu marido, sabendo que ele tinha sido infiel e eu odiava imaginar o que eles estavam sentindo em relação a ele. Seria repugnância e descaso? Ou eles simplesmente sentiam vergonha e descrédito? Tudo o que eu sabia era que nós íamos encarar as conseqüências desse pecado juntos.
Meu único consolo era saber que Deus estava no controle. Na semana seguinte, Neil tinha sido publicamente exposto tanto no culto do domingo de manhã como na reunião da quarta-feira à noite. Ele ficou arrasado por ficar fora do ministério que ele tanto amava e ficou sob uma disciplina severa. Ele já não tinha permissão de sentar-se na fileira da frente. Tinha que encontrar um lugar em meio à congregação, o que fora uma humilhação para ambos.
Foi tão difícil nos levantar no domingo seguinte, sabendo que teríamos que encarar todas aquelas pessoas novamente com seus olhares e pelo desconforto de terem que conversar conosco. O que elas podiam falar? Como elas reagiriam conosco? Foi tão desconfortável e terrível que me senti como se estivéssemos com lepra! Nossos filhos não sabiam o que tinha acontecido; eles apenas sabiam que seu pai estava em agonia por algum problema desconhecido. O Senhor lembrava-me repetidamente de que Ele estava fazendo aquilo e era Seu desejo quebrantar Neil para que, como Oleiro Mestre, Ele pudesse então usar uma argila mais macia e manipulável na roda giratória para o preparo no processo de remodelagem.
O meu conselho e recomendação para todas as mulheres que têm dúvidas ou suspeitas sobre seus maridos é buscar a Palavra de Deus. Peça a deus para dar uma “visão de fé” para seu marido. Peça a Ele para mostrar como Ele vê seu marido e qual é o Seu ponto de vista. Então, escreva aquilo que Deus lhe disser e creia em Suas palavras – a despeito das circunstâncias. Fique firme na Palavra e permita que Deus faça o Seu trabalho completo em seu marido. Isso a fortalecerá – mesmo se o seu mundo parecer estar ruindo sobre você.
NEIL:

sábado, 15 de agosto de 2009

O sopro final

Foto: Diógenis Santos
Após ter contado a Noline sobre o meu segundo adultério, ficamos ambos bem sensíveis. Precisávamos de tempo e espaço para permitir que o bálsamo curador de Deus trabalhasse em nosso casamento desestruturado e em nossas vidas feridas: mas o tempo e o espaço não viera da forma que esperávamos. Como dividíamos o púlpito com o pastor principal, a quem eu houvera convidado para trabalhar comigo, tínhamos uma escala para cada domingo. Era a minha vez de pregar naquela manhã fatal de domingo, quando declarei publicamente que, pela primeira vez em cinco anos, “não havia absolutamente nenhum segredo escondido entre minha esposa e eu. Somos totalmente transparentes um com o outro.”
O confronto inevitável com minha amante e a desgraça pública vieram rapidamente. Eu falhara em aprender uma das lições mais importantes que todo líder deveria saber e respeitar: todos nós precisamos de outros para nos ajudarem a reconhecer as áreas de cegueira em nossas vidas. O ato de prestar contas entre os irmãos permite que a fraqueza e o pecado sejam rapidamente desmascarados, quando ainda podem ser tratados em particular, antes que outras pessoas sejam feridas. Quando não existe o hábito de se prestar contas, o Espírito Santo precisa agir trazendo uma dor muito maior e a correção pública aos filhos de Deus.
Ao enfrentar a congregação na noite da quarta-feira seguinte, percebi que aquilo era um encontro com o destino que eu já não podia mais evitar. O pecado que eu confessara para minha esposa em particular estava agora destinado a se tornar algo público. Quando os presbíteros expuseram a verdade sobre o meu passado de adultério, minha parede de engano, cuidadosamente construída, caiu em ruínas. Fui considerado, então, publicamente mentiroso e adúltero. Eu havia sido desmascarado e estava exposto e demolido. Em minha miséria, naquela noite, eu não havia percebido, mas naquele momento todas as minhas mentiras tinham sido extraídas de mim – uma vez que a pretensão fora removida e a necessidade de ocultar as minhas culpas desaparecera – finalmente eu podia dar um passo em direção à graça de Deus. A minha carne fora crucificada naquela noite. Assim que o meu pecado fora revelado perante todos, Satanás perdeu uma de suas fortalezas mais poderosas sobre a minha vida. Eu vinha “dando lugar” a ela através de meus artifícios contínuos para esconder o meu pecado. Agora ele estava descoberto diante de todos e Satanás perdia sua arma mais poderosa contra mim. O primeiro estágio de “arrancar e derrubar” estava completo. Agora o Senhor começaria o processo de reconstrução.
Não foi fácil
Não foi fácil. Naquela noite senti-me como um homem sendo linchado pelos vigilantes. Embora eu tenha culpado os presbíteros da igreja, fora Deus quem havia exterminado o meu pecado escondido de adultério e a prolongada decepção. Levaria quase dois anos inteiros para que as escamas da raiva e da amargura caíssem totalmente dos meus olhos, dois anos até que eu pudesse admitir que o problema não era a liderança da igreja, dois anos para admitir que meus problemas haviam sido causados devido a minha própria culpa. Levaria ainda mais um tempo para que eu começasse a realmente viver sem a decepção.
Sem eu saber, Deus já havia preparado um programa de “desintoxicação” para a minha vida e eu já conhecia o diretor do meu programa de restauração espiritual. Eu seria restaurado biblicamente sob a forte liderança de Mike e Marilyn Philipps, os instrumentos que Deus usou para ajudar-me a, finalmente, confessar o meu pecado para Noline.
Deus enviou corvos para alimentar o seu profeta nas horas de sequidão; Ele mandou anjos para protegerem os Seus discípulos nas horas de perigo; e Ele colocou Mike e Marilyn que, então, tornaram-se nossas fontes de refúgio e cura. Nas semanas que se seguiram, após aquela dolorosa noite de quarta-feira, eu realmente acreditei que todos os problemas de minha vida haviam sido causados unicamente por mim, mas os Phillipps me apoiaram e me escutaram inúmeras vezes. Gastamos horas ao telefone com eles enquanto nos instruíam sobre o que fazer com nossas vidas despedaçadas. Grande parte da minha cura e da nossa restauração deu-se através da constante supervisão e do equilíbrio de nossos líderes e amigos. Hoje eu sei que eles foram literalmente as mãos de Deus estendidas a duas pessoas feridas.
A parte mais interessante da graça de Deus em nossa crise é que Ele alcançou-me e resgatou-me. Eu podia entender os Seus cuidados para com Seus profetas e apóstolos, mas era muito difícil entender porque Eles ajudariam um “ninguém” que havia falhado tanto, enquanto fingia ser bem-sucedido a todas as pessoas. A minha oração era para que o valor da misericórdia e da graça que Noline e eu temos compartilhado possa reassegurá-lo que a graça de Deus está estendida para todos os seus filhos – incluindo você, se você humildemente procurá-lo.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Capítulo 10 - Humilhação esmagadora e reabilitação carinhosa


Foto: Diógenis Santos
Todo o que cair sobre esta pedra ficará em pedaços; e aquele sobre quem ela cair ficará reduzido a pó. Luc. 20:18
NEIL:
Se apenas a confissão do meu pecado tivesse resolvido a causa dele e não apenas os resultados! O texto diz "ficará reduzido a pó". Com Deus temos apenas duas escolhas: podemos escolher sermos quebrados pela Palavra ou Ele nos reduzirá a pó. Isso pode soar um tanto primitivo para nós, homens modernos mas Deus, o Oleiro Mestre, não pode moldar-nos em vasos como Ele deseja se houver impurezas.
Quando, verdadeiramente nos permitimos ser quebrados totalmente, através do poder convencedor do Espírito Santo e da Sua Palavra, Deus é capaz de nos moldar sem que precisemos passar pelo "processo de quebra". Este, é claro, é o melhor caminho. Porém, não foi o meu caso,pois eu tinha me recusado a obedecer-Lhe inteiramente mesmo com os muitos estímulos e sopros do Espírito Santo.
O profeta Isaías declarou:
Pelo que assim diz o Santo de Israel: Visto que rejeitais esta palavra, confiais na opressão e na perversidade, e sobre isso vos estribais, portanto essa maldade vos será como a brecha de um muro alto, que, formando uma barriga, está prestes a cair, e cuja queda vem de repente, num momento. O Senhor o quebrará como se quebra o vaso do oleiro, despedaçando-o sem nada lhe poupar; não se achará entre os seus cacos um que sirva para tomar fogo da lareira ou tirar água da poça. is. 30:12-14
Minha parede de mentiras e engano estava para ser derrubada. Se eu apenas tivesse dado ouvidos ao Senhor na primeira advertência, na primeira correção de Suas amorosas mãos, eu não teria que passar por essa quebra! Aos olhos humanos, parecia que eu estava visualizando um desastre total, mas eu tinha que confiar no Senhor e crer que Ele sabia o que estava fazendo e que a Sua promessa me manteria firme durante o período de quebrantamento. Mesmo quando o meu mundo começou a desmoronar na frente de todos, eu tinha a promessa de que Ele estava comigo. Repetidas vezes eu O ouvira falar e saberia que eu estava no caminho certo.Embora o Senhor vos dê pão de angústia e água de aflição, contudo não se esconderão mais os teus mestres, os teus olhos verão os teus mestres. Quando te desviares para a direita e quando te desviares para a esquerda, os teus ouvidos ouvirão atrás de ti uma palavra, dizendo: Este é o caminho, andai por ele. Is. 30:20-21
A humilhação pública que eu seria forçado a suportar seria seguida de um período de novo treinamento e Deus estava para mostrar-me os Seus mestres, aqueles a quem Ele havia escolhido para o meu reaprendizado.
A seguir:
O sopro final

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Jesus não prometeu amnésia

Foto: Diógenis Santos
Até hoje não sei se Noline e eu estamos cem por cento curados do passado. Tudo o que sei é que podemos tocar nas áreas afetadas sem sentirmos dor. As feridas acabaram e apenas as cicatrizes permanecem. Jesus não disse que Ele permitiria que tivéssemos amnésia, mas disse que curaria a nossa dor e as nossas feridas.
O pecado que nos separava havia sido removido e sabíamos que Deus começaria a nos moldar como uma só carne novamente. Após ter exposto o adultério, o Senhor trouxe à minha mente uma profecia que fora dada a nós há alguns anos, que dizia:Deus os tomará como os dois ponteiros de um relógio e os porá em sincronia. Ele os tornará um. As pessoas verão que vocês estão na mesma sincronia de Deus e de um para o outro.

Senti que o cumprimento daquela profecia era bem claro. Eu ainda não estava totalmente restaurado. Eu havia dado um primeiro passo importante, mas haviam outros passos esperando por mim. Embora tivesse confessado o meu pecado para Noline eu não havia lidado com o sentimento de decepção que havia dominado a minha vida por anos. Não interessava o quanto eu justificasse a mim mesmo e enganasse os outros, eu não podia enganar o meu próprio coração ou o de Deus. Eu fora perdoado por Deus, mas precisava ser remodelado pelas mãos do Oleiro. O Oleiro Mestre tinha que trabalhar muito mais em meu coração. Porém, eu estava contente por ter procurado a Sua ajuda.

a seguir: Capítulo 10 - Humilhação esmagadora e reabilitação carinhosa

terça-feira, 4 de agosto de 2009

NOLINE e NEIL


Foto: Diógenis Santos
NOLINE:
Deus é tão fiel a nós. Sua Palavra é a nossa força em tempos de fraqueza. Eu pouco sabia que Deus estava quebrando o coração do Neil para aniquilar o pecado de sua vida! Numa manhã bem cedo, quando acordei, descobri que Neil já havia se levantado e estava em seu escritório fazendo o seu devocional. Eu não tinha idéia de quanto tempo ele estivera lá, mas acendi a luz e comecei a ler a Bíblia. Mais ou menos às 5 horas ele voltou e sugeriu que orássemos juntos.
Enquanto estávamos orando, ele descarregou sobre mim um bombardeio emocional, ao abrir o seu coração e confessar que havia se encontrado com Deus em seu escritório de uma forma sobrenatural. Nesse encontro, o Senhor pediu-lhe que confessasse a mim que estivera envolvido em um segundo caso de adultério pouco depois do primeiro e que escondera de mim todo este tempo.
Fiquei chocada. Quando ele me contou quem era a mulher, quase morri! Ela tinha se tornado uma de nossas melhores amigas, tinha ficado em nossa casa, tomado refeições conosco e até cuidado de nosso filhinho enquanto saíamos. Eu confiei nela. Como ela pôde me enganar desta forma?
Derramei-me em lágrimas mas, inesperadamente, Neil também. Há séculos não o via chorar. Nós choramos e oramos juntos e ele pediu-me para colocar as mãos sobre ele, para orar por ele, perdoar-lhe e repreender o espírito de luxúria que o oprimia. Deus tinha sido fiel em preparar-me para aquilo através da Sua Palavra, de forma que não me desmantelei em pedaços como há cinco anos atrás. Durante aquele tempo, o Espírito Santo havia colocado em meu interior paz e confiança.
O que realmente me ajudou foi a atitude de Neil. Eu vi não apenas um arrependimento, mas um quebrantamento que jamais vira antes. Dois dias depois, senti que era tempo de compartilhar a escritura que eu tinha guardado durante o tempo que Deus estivera trabalhando na vida de Neil. Tínhamos estado em um treinamento de final de semana do MMI e havíamos completado quatro grupos do curso de treze semanas. Isto nos dera a chance de trabalhar em muitos dos princípios da apostila e ajudou-me a não ficar arrasada com tal revelação como ocorreu na primeira vez.
Mesmo tendo sido preparada pelo Senhor, havia ainda uma ferida. Aquele mesmo sentimento conhecido e impróprio, de que eu fora incapaz de preencher as necessidades de meu marido, afloraram dentro de mim. A raiva, a falta de perdão e o ressentimento encheram minha mente. Eu sabia que deveria permitir que Deus começasse a curar as minhas feridas e o desapontamento imediatamente. Apesar da dor, eu estava aliviada pela verdade ter vindo à luz e por podermos enfrentar o futuro juntos.
A seguir:
NEIL:
Naquela noite, eu e Noline fizemos um acordo para o resto de nossas vidas: demos um ao outro o direito exclusivo para falar e perguntar qualquer coisa, a qualquer hora. A minha resolução era simples: - da mesma forma como eu fizera parte do problema, agora eu seria parte da solução. Eu nunca mais iria permitir que o diabo mentisse para mim e dissesse que minha mulher estaria me acusando toda vez que ela tocasse no assunto sobre tentação sexual ou pecado. Ela deveria ter muitas perguntas e nem sempre exigiria uma resposta. Algumas vezes ela precisaria apenas que eu a abraçasse, assegurando a continuidade do meu amor e que orasse por ela.
Não é suficiente confessar o erro para o cônjuge e então esperar que ele jamais comente o assunto. Com certeza, ele está sob o sangue de Jesus agora. Com certeza está nas profundezas do mar do esquecimento. O cônjuge ferido precisa de oportunidade para esclarecer o problema em seu próprio coração e mente. Se não, ele se tornará um prisioneiro da dor da confissão, não encontrando saída para o desapontamento, feridas e marcas infligidas. Esta vítima inocente é literalmente presa pela viva imaginação daquilo que ela acredita ter ocorrido entre o cônjuge e a outra pessoa. Isso não somente é desleal como injusto! Por exemplo, Noline precisava saber quem era a outra mulher para que futuramente ela não olhasse para todas as outras mulheres com suspeitas.
Não fizemos uma coisa. Embora tenhamos falado abertamente sobre quando e onde meu pecado acontecera, ambos concordamos que os detalhes do pecado nunca seriam discutidos. Eu estava envergonhado do que fizera e preferia esquecer-me dos detalhes sangrentos, ao mesmo tempo em que Noline não queria imagens vivas do meu pecado em sua mente. Então deixamos isso com Deus.
A cura leva tempo, mas Deus é o médico. Jesus disse que Ele veio para curar aqueles que estavam feridos (Lucas 4:18). As feridas, às vezes, levam muito tempo para serem curadas e a menor pancada na área machucada pode causar uma dor tão grande como a de um novo machucado. Da mesma forma, como ocorre no físico ocorre na alma: tanto as feridas físicas quanto as emocionais requerem tempo para uma cura apropriada.
A seguir:
Jesus não prometeu amnésia

domingo, 2 de agosto de 2009

Uma visita durante a noite

Foto: Diógenis Santos

Uma noite, pouco tempo depois, eu não conseguia dormir me agitando e virando na cama já um bom tempo depois de ter me deitado. Parecia que eu estivera lutando para dormir a noite toda. Às três horas da manhã, desisti de lutar contra a insônia e decidi descer e orar. Eu não pensei que receberia qualquer revelação de Deus. Na realidade, eu duvidava de que Ele quisesse conversar comigo, pois fazia um bom tempo que as minhas orações pareciam não passar do teto. Calculando que eu não tinha nada a perder, fui para o meu escritório, ajoelhei-me e comecei a orar.
Quase que imediatamente, o escritório inteiro começou a brilhar com a presença do Senhor. Ouvi o Senhor falar comigo, não em voz audível, mas em meu coração e em meu espírito:
- Você gosta da Minha presença?
Respondi:
- Sim Senhor, tenho esperado tanto por esse dia. Parece que estou esperando uma eternidade para ouvir a Sua voz.
Então o Senhor replicou:
- Vá e conte à sua esposa sobre o seu adultério.
Reagi em autodefesa:
- Não posso!
Então, tão rápida como surgira, a presença de Deus desapareceu. Desfalecido, clamei:
- Senhor, não posso viver como tenho vivido esses últimos cinco anos e meio!
Novamente a presença do Senhor apareceu e meu escritório brilhou. Novamente ouvi a voz do Senhor falando ao meu coração:
- Você gosta da Minha presença? E de novo respondi afirmativamente.
Então Ele disse pela segunda vez:
- Vá e conte à sua esposa sobre seu adultério.
Eu simplesmente não tinha forças para fazer tal coisa. Eu “lembrei” o Senhor sobre a reação da primeira vez que confessei – Ele podia ter se esquecido. A presença do Senhor surgiu e desapareceu por várias vezes enquanto Ele continuava a trazer-me para mais perto de Si pedindo sempre a mesma coisa.
Finalmente, às cinco horas me entreguei e me submeti ao Seu desejo, ou.quase. Eu disse ao Senhor que confessaria a Noline se Ele me desse um último sinal. Eu confessaria se Noline estivesse acordada com a luz de sua cabeceira acesa. Eu tinha certeza de que aquilo nunca iria acontecer, pois Noline não é do tipo que gosta de acordar cedo. Ela é como um submarino imerso no fundo do mar que leva uma eternidade para vir à tona. Eu tinha a certeza absoluta de que ela estaria dormindo às cinco horas, em um dia de inverno, enquanto lá fora tudo estava escuro. Não havia possibilidade dela estar acordada.
Apaguei a luz de meu escritório, subi as escadas que davam na cozinha e, de forma confiante, comecei a andar pelo corredor que terminava na porta do nosso quarto. De repente, meu coração disparou e minha boca secou, enquanto eu era inundado por uma onda de pavor. Eu não podia acreditar no que meus olhos viam! A luz do abajur de Noline estava acesa! Eu podia vê-la através da fresta debaixo da porta. Deus me passou a perna! pensei. Há poucos minutos, eu estivera tão confiante e agora minhas mãos estavam tremendo. No início eu tinha forças apenas para tocar na porta ao invés de abri-la. Toda a minha coragem havia simplesmente desaparecido.
Ela não poderá me apunhalar
Ao abrir a porta vagarosamente, ao invés de encontrá-la dormindo, Noline estava lendo sua Bíblia. Dei um sorrisinho amarelo, enquanto sentia toda a coragem desaparecendo, mas ao menos consegui dizer:
- Querida, você gostaria de sentar-se aqui no carpete e orar um pouco?
Pensei comigo mesmo, Se eu conseguir que ela fique aqui no chão, ela não conseguirá apunhalar-me com a tesoura. É interessante como conseguimos ter pensamentos tolos em períodos de crise!
Depois de alguns minutos em oração, eu disse para Noline:
- Tenho uma coisa que gostaria de compartilhar com você.
Então, pela primeira vez, em mais de cinco longos anos de angustia através de uma confissão arrependida, meu pecado escondido foi trazido à luz. Noline debulhou-se em lágrimas: mas desta vez, para minha surpresa eu estava chorando também. Eu não derramava lágrimas há anos. Conversamos e choramos durante um tempo que parecia séculos. Noline terminou a nossa conversa colocando suas mãos amorosas em mim e fazendo uma oração de perdão e cura.

A seguir:
As palavras de Noline em relação a esse epsódio:
NOLINE:

sábado, 1 de agosto de 2009

Por que você não confessa primeiro?


Foto: Diógenis Santos

De alguma forma eu senti que aquela era a minha chance de livrar-me da culpa que eu vinha suportando por tanto tempo e eu estava ansiando pela oportunidade de ficar sozinho com Noline para conversarmos. Pensei em testar primeiro perguntando para Noline:
- Você tem algum pecado escondido em sua vida que precisa confessar a mim e a Deus?
Na realidade, eu até desejava que ela respondesse sim. Se eu conseguisse encontrar um meio de demonstrar que eu não era o único pecador, talvez aquilo pudesse ajudar a justificar a minha culpa. Assim, se ela confessasse mesmo alguma coisa, seria muito, muito mais fácil para mim.
Para minha decepção, ela riu respondendo que não. E rapidamente passou a bola para mim quando falou:
- Mas, e você?
Eu pretendia confessar naquele momento, mas subitamente fiquei sem fala. Minha boca ficou seca e as palavras pareciam grudar em minha garganta.
- Não, respondi fracamente.
Agora, supostamente, estávamos em pé de igualdade já que cada um estava livre de seus pecados passados; mas, na realidade, meus pecados estavam apenas se amontoando.
Eu disse a mim mesmo que a mentira havia sido necessária devido às conseqüências e dores de minha primeira confissão de adultério. Eu não podia me esquecer da grande confusão que ela trouxera ao nosso casamento e relacionamento e quanto tempo demorou para superarmos. Eu simplesmente não podia fazer aquilo de novo. A verdade, no entanto, era que eu sabia o que precisava fazer, mas estava com muito medo de fazê-lo.
O fim de semana terminou sem nenhuma resolução para o meu dilema. Voltamos para casa e entrei em profunda agonia. Por várias vezes me recordei daqueles dias e pensei na oportunidade perdida de remediar as coisas. Várias vezes perguntei a mim mesmo a razão de não ter aberto o meu coração para aquelas pessoas maravilhosas que estavam lá para ajudar-nos.
- Pelo menos Mike e Marilyn me protegeriam contra a fúria mortal da Noline, dizia a mim mesmo, sarcasticamente.
Mas aquilo não era brincadeira. Eu realmente perdera uma grande oportunidade de libertar-me.
Quando já havíamos dado nosso quarto curso Casados para Sempre, crescia em mim um desejo muito forte de livrar-me de minha culpa. Pouco imaginava quão perto eu estava do maior encontro com Deus já experimentado desde o momento em que fora salvo e batizado no Espírito Santo.
A seguir:
Uma visita durante a noite